Andrea Sebben, psicóloga intercultural (Parte 1)
Entrevistada aborda importância da Psicologia Intercultural para o preparo do atleta de futebol
Equipe Universidade do Futebol
Tratado como referência mundial de talento no futebol, o Brasil negociou 1.176 atletas com outros mercados apenas em 2008. Em contrapartida, 659 jogadores voltaram ao país no mesmo período. Mas se a excelência técnica não é questionada, o que justifica esse alto índice de talentos que não se fixam no Velho Continente? Em muitos casos, a falta de adaptação é o primeiro argumento. E a falta de adaptação pode representar a ausência de um trabalho de Psicologia Intercultural.
"A Psicologia Intercultural é fundamental para poder ajudar no bem-estar, no desempenho e no sucesso do jogador", comentou Andrea Sebben, psicóloga intercultural pela Universidad Complutense de Madri (Espanha) e pela PUC-RS (Porto Alegre), e membro da International Association for Cross-Cultural Psychology (IACCP), em entrevista exclusiva à equipe da Universidade do Futebol. "O jogador de futebol brasileiro possui um talento raro. Por isso, investe-se muito dinheiro nessa pessoa, mas o investimento no preparo emocional e sócio-cognitivo desses atletas não é proporcional. Na minha visão, os jogadores de futebol expatriados estão abandonados. É mais ou menos como se eles tivessem virado um produto, e temos que admitir um produto muito mal preparado", acrescentou.
Referência no Brasil no que se refere à Psicologia Intercultural, Andrea desenvolve trabalhos principalmente com executivos que vão para outros países ou regiões, ou que vêm de outras nações para o Brasil. Atualmente, um dos seus principais projetos é preparar, da mesma forma como faz com os executivos, os jogadores de futebol, público bastante influenciado pelas diferenças culturais e que, em sua maioria, carece de preparo para lidar com a situação.