The Open University
Entrevistas
09/10/2009
Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista
Médico fala sobre estudo com futebolistas e aplicabilidade de técnicas em prol da performance
Bruno Camarão

Jogo de estratégias simultâneas, o futebol demanda que cada um dos jogadores de uma equipe possa ser orientado a todo instante por uma mesma leitura coletiva de jogo. Individualmente, a forma como essa pessoa vislumbrará a execução de uma ação específica pode determinar o resultado final.

A visão de jogo é um dos atributos mais enaltecidos na modalidade. No que se refere a aspectos técnicos e coletivos, essencialmente. Mas o teor fisiológico desse sentido é primordial. E muitas vezes deixado em um patamar secundário.

Para levar à tona a relevância dos olhos a atletas profissionais – e também os principais problemas médicos dessa esfera -, um dos poucos estudos ligados à modalidade mais popular do país chama a atenção. Coube ao doutor Leôncio Queiroz Neto sua execução.

Oftalmologista do Instituto Penido Burnier, ele demonstrou que 64% dos jogadores de futebol que apresentam algum problema de visão entram em campo sem correção visual alguma - os dados colhidos relatam também que um a cada quatro atletas nunca fez exames de vista.

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da PUCCAMP em 1985, Queiroz Neto tem o título de especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Associação Médica Brasileira. O interesse pelas aplicações de seu âmbito de trabalho ao futebol surgiram logo após os primeiros anos longe do ambiente acadêmico.

“Doze anos atrás fiquei cerca de 15 dias em Minneapolis (EUA) vivendo a realidade dos jogos universitários, e comecei àquela época me interessar pela visão no esporte. Via times da Bahia, do interior do Pernambuco, participando daquelas competições. Eram verdadeiros celeiros de jogadores que, se tivessem uma valorização melhor dos sentidos – audição, visão -, conseguiriam desenvolver o talento próprio com muito mais propriedade”, contou Queiroz Neto, em entrevista à Universidade do Futebol.

O oftalmologista ainda buscou desenvolver um projeto efetivo e em longo prazo, diretamente relacionado às categorias de base dos campineiros Guarani e Ponte Preta, localidade onde nasceu, mas não obteve êxito. Adversidades estas estendidas à própria área de pesquisa e desenvolvimento científico.

“Eu não tenho conhecimento de oftalmologistas atuando em comissões técnicas continuamente. Vejo que os times da elite, em especial do estado de SP, passam por revisões periódicas, mas sem qualquer trabalho mais profundo e integral. No Brasil, há uma carência muito grande em relação a estudos desse tema”, analisou Queiroz Neto, que também falou sobre os principais exercícios oculares para melhorar a performance dos atletas, a influência de aspectos bioquímicos na função visual, traçou um panorama em relação às lentes corretivas e sintetizou os problemas enfrentados pelas mulheres.


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