The Open University
Entrevistas
23/10/2009
José Melquíades Ursi, filósofo
Autor de 'Como nascem os Deuses da Bola' fala da liberdade criativa e do talento do jogador brasileiro
Bruno Camarão

Tentar explicar como são concebidos os maiores representantes do esporte bretão e oferecer algumas lições que nos fazem viver melhor promovidas pela apaixonante modalidade: essa é a proposta do livro “Como nascem os Deuses da Bola”, do professor José Melquíades Ursi.

Nascido na cidade de Jaguatipã, região norte do estado do Paraná, o escritor possui formação em Filosofia Pura, Ciências Sociais e Pedagogia. Um pouco de cada habilidade nessas áreas específicas, agregada à condição de futebolista semi-profissional – no ano de 1969 foi jogador do Jandaia E.C, por quem conquistou o Campeonato Paranaense da segunda divisão -, renderam à Ursi a condição de traduzir em palavras algumas de suas sensações em relação ao futebol.

“A nossa mistura racial proporcionou a alegria e a criatividade, e não levamos em conta isso muitas vezes para observar a forma como nosso jogo é concebido. O brasileiro geralmente improvisa ou dá um jeito de refazer uma situação quando se vê em dificuldade”, explicou o filósofo nesta entrevista à Universidade do Futebol.

Ele se aventurou a publicar a obra em 2006, ano em que foi disputada a última edição da Copa do Mundo, na Alemanha. Mas a fertilidade de um ambiente por conta desse evento esportivo, a qual promove um emaranhado de produções literárias tendo como foco central a bola, não colocou em xeque a qualidade do produto final. Muito pelo contrário. Justamente por não se tratar de um “aventureiro de plantão”, Ursi recebeu o aval de Juca Kfouri, jornalista que assina o prefácio.

Editor do jornal bilíngue Informativo Unicon – primeiro jornal de Itaipu, criado em 1978 –, do primeiro ao último número, Ursi ainda efetuou publicações voltadas à moral e ao civismo, além de ter composto crônicas e poemas. Seu encantamento, entretanto, é conduzido mesmo pela paixão futebolística.

Em “Como nascem os Deuses da Bola”, todas as histórias oferecem a representação da vida, sob um ponto de vista mais lúdico, plástico, sem fugir da responsabilidade. Amparado pela Filosofia, o autor expressa essa vivência a partir do olhar para as circunstâncias, associadas aos lugares por onde cada indivíduo passou e à forma como o mesmo vivencia o tempo. Dessa forma, atingem-se os níveis mais densos de elevação humana e espiritual.

“A história de vida de uma pessoa influencia na forma de ela jogar. Para alguns, você não pode pressionar, senão ele se esconde. Já para outros, há uma reação sob críticas da imprensa, da comissão técnica. É muito relevante o conhecimento de cada integrante. E é algo muito profundo. Tanto que os grandes treinadores são os que têm essa capacidade de compreensão humana”, argumentou Ursi.


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