O Guarani viveu dois momentos absolutamente distintos em 2009. Após realizar uma campanha irregular no Campeonato Paulista, a equipe entrou na rodada final da competição necessitando de um triunfo sobre o Bragantino e uma combinação de uma série de resultados paralelos para evitar o descenso. Sequer conseguiu fazer sua parte.
O fracasso em termos de rebaixamento foi o sexto nos últimos oito anos. Antes disso, o clube de Campinas havia sofrido a queda nos Paulistas de 2001 e 2006, no torneio Rio-São Paulo em 2002, e nos Nacionais de 2004 e 2005, este último na Série B. Mas a partir do pontapé inicial no Brasileiro da segunda divisão da atual temporada houve uma mudança de figura. E Oswaldo Alvarez esteve presente nela.
Com duas passagens no currículo pela equipe alviverde, Vadão, como é conhecido desde que ingressou no futebol em 1974, então como atleta das categorias de base bugrina, é referência e homem de confiança da cúpula interiorana. Conduziu um planejamento emergencial, com cerca de dez dias de preparação antes da estreia no Nacional, contra o Fortaleza, atual campeão cearense, e se deu bem. Goleada por 4 a 2 sobre os nordestinos, acompanhada de outros sete triunfos nas dez partidas seguintes.
A perda da invencibilidade só ocorreu na 12ª rodada da competição -recorde igualado ao Corinthians-08 na Série B -, mas a liderança folgada de então já credenciava o Guarani ao posto de um dos principais candidatos ao acesso.
"Um ambiente geral no clube e na torcida 'comprou a causa' de resgatar o Guarani. No fim do primeiro turno, ainda apresentamos uma queda, e tivemos de contratar mais alguns atletas. E, mesmo num grupo com 40 pessoas, parece que todos fazem parte de uma mesma família", revelou Vadão, nesta entrevista à Universidade do Futebol.
"Podemos repetir esse plano estratégico no ano que vem e dar tudo errado, até por conta da emergência com o qual ele foi realizado. Mas esse momento do Guarani é, de fato, especial, também", acrescentou o treinador que passou por diversos clubes do interior - inclusive o rival do Guarani, a Ponte Preta - e traçou seu nome no futebol a partir de uma performance marcante no início da década de 1990 à frente do Mogi Mirim. Era o "Carrossel Caipira".
Baseado nas referências de Vadão, encantado pelo futebol holandês, em especial à performance na Copa do Mundo de 1974, buscou repetir a estratégia do comandante da "Laranja Mecânica", Rinus Michels, no seu grupo: deu certo. Foram vitórias em sequência e a atenção despertada dos rivais para o talento de Capone, Válber, Leto, Rivaldo e companhia.
"Atuávamos em um 3-5-2 com muita rotatividade. Nesse aspecto é que fomos comparados com a Holanda de 1974, não pelo esquema. Naquela época, praticamente revolucionamos a formação no país, pois a seleção brasileira havia sido crucificada com o Lazaroni por atuar dessa maneira na Copa de 90 - mas foi o modo como a Alemanha se sagrou campeã", indicou Vadão, fã também de Claudio Coutinho e Carlos Alberto Parreira.
"Curiosamente eu peguei uma safra de jogadores jovens muito versáteis. Rivaldo era centroavante e virou meia, o time era muito flexível, e como jogava bonito, rodando as posições, e eu falava muito do Rinus Michels nas entrevistas e para os jogadores, acabou sendo apelidado dessa forma", completou o treinador do Guarani.