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18/01/2010
Análise tática: São Paulo 1 x 3 Portuguesa
Em partida de dois tempos distintos, equipe tricolor perde muitas oportunidades nos primeiros 45 min; depois, a Lusa dominou e saiu vitoriosa
Equipe Universidade do Futebol

São Paulo e Portuguesa fizeram o duelo de estreia no Paulistão 2010 no Morumbi. Ainda sem ritmo de jogo e sentindo o desgaste físico, cada time dominou um tempo. A primeira etapa foi amplamente dos anfitriões, que, postados no 4-2-3-1 variando para o 4-3-3, dominaram a recuada Portuguesa, perderam um pênalti e vários gols que poderiam ter liquidado a fatura.

Na segunda etapa, a Lusa soltou seus alas e mudou o posicionamento do meio-campo; consequentemente, dominou o setor e aproveitou as chances que teve. Soma-se a isso o fato de o São Paulo sentir o desgaste e deixar a compactação defensiva muito lenta nos 45 minutos finais.

A proposta do novo sistema de Ricardo Gomes terá de enfrentar o "resultismo" da imprensa e o vício dos atletas no 3-5-2.

A reestreia de Marcelinho Paraíba foi muito boa, mas o time precisa de mais um atacante para compor o elenco. Fernandinho, lesionado, pode ser este homem.

Já a Lusa deve tirar a lição deste jogo para todo o campeonato, pois na primeira etapa o time foi muito defensivo e sofreu a pressão sãopaulina. Quando saiu para o jogo - e Benazzi modificou taticamente o time - se impôs e conseguiu uma excelente vitória.

São Paulo - quem não faz...



A proposta tática de Ricardo Gomes para o São Paulo nesta temporada é muito boa. O 4-2-3-1 , que varia para o 4-3-3, deixa o time com várias possibilidades e com repertório ofensivo mais amplo.

Rogério Ceni teve Jean na direita e Jorge Wagner pela esquerda; André Dias e Miranda, centralizados, formaram a linha defensiva.

Detalhe para os laterais que não avançam e deixam a função de apoiar o sistema ofensivo com os volantesHernanes e Richarlyson, que contam com o auxílio de Léo Lima.

Dagoberto e Marcelinho Paraíba pelos lados se revezam na função de atacantes e meias, completando o ataque com Washington.

Aliás, esta movimentação surpreendeu a Lusa, que vinha no 3-5-2 e se viu sem sobra no primeiro tempo. Faltou ao São Paulo aproveitar as chances que criou e definir o placar enquanto podia.





Vencendo o jogo com gol de Marcelinho Paraíba, mas sem o controle do jogo na segunda etapa, o São Paulo sofreu a virada. Ricardo sacou Washington para a entrada de Roger, porém Dagoberto foi expulso logo em seguida, após entrada brusca no adversário.

Para buscar o empate, o comandante tricolor sacouHernanes para a entrada de Marlos. Além disso, Jean e Jorge Wagner passaram a apoiar mais o ataque, e o time se montou praticamente com três atacantes, mesmo com um jogador a menos.

Júnior César ainda entrou no lugar de Jorge Wagner no fim, mas a falta de condicionamento fez o time demorar muito para recompor os espaços quando perdia a bola.

Portuguesa - a equipe jogou só no segundo tempo. E ainda deu tempo de vencer!



A versão 2010 da Portuguesa veio na formação preferida de Wagner Benazzi, postada no 3-5-2. O time teve Fábio no gol, Domingos pela direita, Thiago Gomes centralizado e Preto Costa pela esquerda, formando o trio defensivo. Paulo Sérgio na direita e Fabricio na esquerda foram os alas, mas jogaram muito recuados no 1º tempo.

Acleisson e Gláuber, como volantes, também muito recuados, e Marco Antonio, como meia, não tinham a velocidade para chegar ao ataque.

Héverton e Dinei eram os mais avançados e apenas assistiram ao jogo na etapa inicial.



Veja no encaixe de marcação da primeira etapa como que o São Paulo desequilibrou a defesa da Lusa ao variar para três atacantes, ainda mais pelo posicionamento recuado dos alas.

Além disso, o time não tinha saída rápida para o ataque também pelo meio, já que os volantes estavam demasiadamente atrás e Marco Antonio não tinha velocidade para avançar.

Assim sendo, o ataque da Lusa quase não existiu, e o São Paulo criou inúmeras chances de fazer um placar elástico - mas conseguiu apenas a diferença mínima.





A Portuguesa voltou com outra postura na segunda etapa. Benazzi adiantou mais os alas e o time passou a ter saída pelos lados. Além disso, colocou Gláuber encostado em Hernanes para tirar o espaço do jogador sãopaulino e armar o jogo de trás. Só nisto, o time já melhorou.

Mas quando Thiago Gomes saiu lesionado e Benazzi colocou o garoto Henrique, os visitantes ganharam velocidade também pelo meio e foi díficil o São Paulo segurar.

Acleisson foi para a zaga, e Marco Antonio passou a armar o jogo de trás, onde ele rende melhor. Henrique encostou nos atacantes e a Lusa virou e convenceu. Mas precisa ficar alerta para não entrar errado em uma partida como o fez neste jogo.



Veja no encaixe como que a saída rápida da Lusa "matou" o ataque do São Paulo, ainda mais depois da expulsão de Dagoberto.

Jean também teve muita dificuldade para marcar Fabrício e Héverton, que caía pelo seu setor.


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