Na grande expectativa da volta de Robinho, o Santos superou o forte sistema de marcação do São Paulo e venceu com gols de Neymar e do "rei da pedalada", que marcou um golaço de letra. Mesmo fora de forma, ele mostrou muito talento e inteligência, mas Dorival deveria evitar posicioná-lo de costas para os zagueiros.
O jogo se definiu com o Santos ficando com a posse de bola e tomando a iniciativa, enquanto que o São Paulo fechava as laterais e explorava os contra-ataques através de lançamentos. Contudo, a linha de marcação postada no meio-campo foi aos poucos recuando e o Santos passou a rondar a área. Os números obtidos pelo Scout Online traçam um perfil interessante da partida.
O Santos efetuou 386 passes certos e 45 errados, enquanto que o São Paulo trocou 227 e errou 36. O São Paulo explorou bastante os lançamentos - foram 15 certos e 17 errados, contra apenas seis (quatro errados) pelo lado do Santos. Baseando seu jogo no sistema de marcação, o São Paulo realizou 100 ações defensivas (desarmes +interceptações), contra 78 do rival da Baixada.
Com estas duas escolas distintas de jogar futebol e com poucas faltas no jogo, foram 13 cometidas pelo São Paulo e 11 pelo Santos, os dois times acabaram por finalizar exatamente da mesma maneira: foram 15 finalizações para cada lado, sendo nove erradas e seis certas.
Porém, o resultado do jogo foi definido por mais três fatores: o talento e leveza do time do Santos aliados à transição pelo meio que Arouca trouxe para a equipe, as alterações equivocadas de Ricardo Gomes no 2º tempo que esfacelaram o poderio ofensivo do time e o contra-ataque com cinco atletas puxado pelo Santos após escanteio do São Paulo, claramente fruto de treinamento e mérito de Dorival.
São Paulo - em jogo equilibrado, faltou um 'algo a mais'

Ricardo Gomes rodou, rodou e acabou escalando o 3-4-2-1 do ano passado, com Marcelinho Paraíba promovendo mais qualidade na chegada ao ataque.
O São Paulo tentou e conseguiu fechar os lados do campo com Jorge Wagner e Jean e fechou o meio com uma linha de quatro jogadores no meio-campo, a qual, enquanto estava postada na linha do meio, marcou com eficiência o Santos.
Os lançamentos longos nas costas dos laterais santistas foram uma arma constante utilizada pelo time da capital, mas quando o Santos passou a fazer a transição pelo meio, dominou o jogo e fez a bola chegar em seu ataque talentoso.
O goleiro Rogério Ceni teve Renato Silva pela direita, Xandão centralizado e Miranda pela esquerda, formando o trio defensivo. Jean pela direita e Jorge Wagner pela esquerda marcaram pelos lados e entravam em diagonal. Richarlyson e Hernanes pelo meio, com Dagoberto e Marcelinho encostando em Washington, completaram o time.


Na volta do intervalo, Ricardo sacou Washington para a entrada de Cleber Santana; assim, o sistema tático passou a ser o 3-5-2, com Cleber centralizado na armação de jogadas com Marcelinho, e Dagoberto no ataque. Porém, o veloz atacante sentiu uma lesão e foi substituído por Roger, que em seu 1º toque fez o gol de empate.
Ricardo, então, voltou ao 3-4-2-1, com Marcelinho postado ao lado de Cleber Santana. O destaque nesta fase do jogo foi Hernanes, que passou a chamar a responsabilidade do jogo. Quando Léo Lima entrou no lugar de Marcelinho Paraíba, o time ficou muito lento no ataque e foi presa fácil para o bom desempenho do sistema defensivo rival neste jogo.
Santos - transição pelo meio foi a novidade. Além de Robinho, é claro

De modo surpreendente para alguns, o Santos está montando um time que poderá ser bem competitivo em 2010. O grupo é bom, o treinador também, há craques consagrados e jovens promessas se firmando, mas um passo gigantesco neste jogo para se firmar como time de futebol foi dado.
Fechando as laterais, o time mostrou muita dificuldade - no domingo, em Barueri, o time fez a transição pelo meio, mostrando evolução com os treinamentos e a importância de Arouca.
O goleiro Filipe teve Wesley (vem se destacando como um importante coringa para Dorival) na direita, Edu Dracena e Durval centralizados e jogando muito bem, e Léo pela esquerda, formando a linha defensiva.
Interessante notar que na marcação santista a sobra é feita quase sempre por Edu Dracena e não pelos laterais. Para que isto aconteça, Rodrigo Mancha, o 1º volante, dá o primeiro combate, enquanto Durval pega o outro atacante. Isto possibilita liberar os laterais com mais facilidade, formando um falso 3-5-2. Arouca como 2º volante melhorou e muito a saída de bola pelo meio; Marquinhos e Paulo Henrique completaram o setor, com Neymar e André no ataque.
Veja no encaixe de marcação que o São Paulo tentou bloquear as laterais com relativo sucesso e explorar as costas dos laterais santistas, porém a equipe foi surpreendida pela transição promovida por Arouca. Neste jogo de gato e rato, melhor para o "Peixe".

Depois dos 10 minutos do segundo tempo, Dorival promoveu a reestreia de Robinho (entrou na vaga de André). Porém, o atacante jogou de costas para os zagueiros e longe de Neymar. Mas como é um atleta diferenciado e inteligente, buscou seu espaço vindo buscar a bola pelo meio e pegando o zagueiro de frente.
Neymar contribuiu também ao ficar mais centralizado e promover uma tabela fantástica. Dorival ainda sacou Marquinhos para a entrada de Zé Eduardo, porém em vez de promover o 4-3-3 com dois atacantes abertos, o sistema se manteve o mesmo.


No encaixe desta fase do jogo, o 3-5-2 do São Paulo tinha bom potencial, mas a saída de Washington e a má performance de Cleber Santana foram prejudiciais para as pretensões de Ricardo Gomes; enquanto isso, a dupla de ataque santista fez uma melhor partida.
Para fechar o time após o gol de Robinho, Dorival sacou Neymar e formou um 4-3-1-2 mais defensivo.

Fontes:
Prancheta do Técnico - http://www.pranchetadotecnico.blogspot.com/
Scout Online - http://www.scoutonline.com.br/
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