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09/03/2010
Análise tática: Portuguesa 1 x 1 Santos
A Portuguesa foi corajosa ao não abdicar do ataque. Além disso, foi interessante ver um jogo com três zagueiros sem sobra contra três atacantes
Equipe Universidade do Futebol

Portuguesa e Santos fizeram um jogo de tirar o fôlego do torcedor no último domingo. O Santos, com seu futebol ofensivo, teve muitas dificuldades diante de uma Portuguesa bem armada por Benazzi.

A equipe do Canindé conseguiu fechar as laterais e a saída pelo meio ao mesmo tempo e, para conseguir este feito, se arriscou ao deixar a defesa no mano a mano.

A bola santista tinha muita dificuldade para chegar até o trio Robinho, Neymar e André e, como o time perdia a bola com facilidade, a Portuguesa dominou o primeiro tempo, tendo maior volume ofensivo e, na segunda etapa levou perigo com contra-ataques explorados com vantagem numérica. Como em um jogo contra o atual time do Santos, quem não faz toma, o castigo veio no final da partida e o Santos conseguiu não perder.
 

  Portuguesa   Santos  
Passes certos 163 Marco Antonio 426 Wesley
Passes errados 35 Athirson 52 Paulo Henrique
Lançamentos certos 14 Marco Antonio 7 Wesley
Lançamentos errados 19 Marco Antonio 8 Felipe
Cruzamentos certos 5 Marco Antonio 3 Pará
Cruzamentos errados 7 Fabricio 28 Marquinhos
Finalizações certas 8 Luis Ricardo 10 Robinho
Finalizações erradas 9 Héverton 15 Wesley
Faltas cometidas 27 Fabricio 12 Durval
Desarmes 38 Preto Costa 22 Arouca
Interceptações 78 Paulo Sérgio 57 Edu Dracena
Bolas perdidas 26 Luis Ricardo 41 Neymar


Pelos números do Scout Online, nota-se que o Santos teve muito mais posse de bola do que a Portuguesa, principalmente durante a segunda etapa. 

O time do Canindé adotou forte marcação com saída rápida para o contra-ataque. Detalhe que o recuo da equipe não foi proposital, mas sim, forçado pelo "empurrão" dado pelo time santista sobre o meio campo e a defesa adversária.

Por fim, o alto índice de bolas perdidas pode ser reflexo de um time que tenta muito o drible, o que poderia ser trabalhado por Dorival já que proporciona muitos contra-ataques aos adversários.

Portuguesa - bem compacta e com jogadores rápidos



Benazzi barrou Acleisson e Luis Carlos, principal fator da descompactação da equipe quando joga no 3-5-2 e, atuando no 3-4-2-1, anulou o problema do lado esquerdo da defesa. Talvez pudesse ter problemas para marcar os três atacantes santistas, mas a boa partida dos alas fechou as laterais e a compactação do meio campo obrigou o Santos a forçar a jogada individual, perdendo a bola e dando a possibilidade contra-ataques ou de tentar a ligação direta, quesito em que os zagueiros da Portuguesa levaram vantagem.

O goleiro Fábio teve Domingos pela direita, Tiago Gomes centralizado e Preto Costa pela esquerda, formando o trio defensivo. Paulo Sérgio (que voltava para fechar a linha defensiva) na ala direita e Athirson na esquerda jogaram. Gláuber e Marco Antônio como volantes, e Fabrício pela esquerda e Luis Ricardo pela direita, fechando o quadrado do meio de campo. Héverton como atacante fez o gol e levou constante perigo à defesa santista.



Na volta do intervalo, a Portuguesa manteve o mesmo time e formação, mas foi "empurrada" pelo Santos para sua defesa. Mesmo assim, conseguiu usar a velocidade para contra-atacar com Athirson, Luis Ricardo, Fabrício e Héverton, levando vantagem numérica sobre o sistema defensivo do santista.



Benazzi fez as três alterações, substituindo Marco Antonio por Henrique e Héverton por Jean Natal. Com isso, Luis Ricardo foi para o ataque. Quando a vitória da Lusa já era quase dada como certa, em contra-ataque, Luis Ricardo avançava, quando sentiu uma lesão muscular e largou a bola. Com a retomada da bola o Santos conseguiu o gol, quando a Lusa saia para o ataque. Rafael Silva entrou no lugar de Luis Ricardo e ainda perdeu Athirson (lesionado) e Domingos (que só fez número até o final do jogo). Com dois a menos, a Portuguesa quase perdeu a partida no final e, por isso, o empate acabou sendo bom.

Santos - diante de um time bem armado, a equipe da Vila Belmiro teve dificuldades para empatar



O Santos apresenta um futebol com jogadas mais verticais e isto agrada o público e a imprensa, mas quem trabalha com futebol sabe que Dorival tem a difícil missão de fazer um belo de um omelete com estes ovos de qualidade, e isto ainda não aconteceu. Quando enfrenta uma marcação mais consistente, o time tem dificuldades. Foi assim em parte do jogo contra a Ponte Preta, o Mogi Mirim e, pela Copa do Brasil, contra o Navariense.

Dorival armou o 4-3-3 com Felipe no gol, Roberto Brum pela direita, Edu Dracena e Durval centralizados com Pará pela esquerda, formando a linha defensiva. Enquanto Pará jogava avançado, Brum revezava com Wesley que fazia dupla função (de volante e lateral direito) e formava dupla com Arouca. Paulo Henrique ficou muito apagado na armação de jogadas para o trio Robinho e Neymar pelas beiradas, e André centralizado.



Pelo encaixe de marcação, percebe-se que o Santos explorou muito o lado esquerdo com o apoio de Pará. Paulo Sérgio segurou um pouco na marcação para tentar fazer a cobertura da zaga, mas a disposição tática do balanço defensivo santista, principalmente quando Wesley apoiava, permitia superioridade numérica para a Portuguesa.



Perdendo o jogo, Dorival tentou melhorar a armação pelo meio e substituiu Roberto Brum pelo meia Marquinhos. Wesley foi para a lateral e Arouca ficou postado como único volante. Dorival foi muito ousado e correu risco, mas foi premiado com o empate no final. Com isso, o time do Canindé foi "empurrado" para trás o que fez Paulo Henrique aparecer um pouco mais para o jogo.





Na volta do intervalo, Dorival armou sua equipe de forma mais ofensiva. Em um ousado 2-3-2-3, o Santos teve os dois laterais avançados e adiantou os meias. Isso proporcionou contra-ataques para o adversário, mas a equipe da Vila Belmiro melhorou e manteve o domínio da partida. Porém, diante de uma equipe mais qualificada no setor ofensivo, isto pode ser um suicídio.

Nota-se pelo encaixe, como a Portuguesa foi corajosa ao não abdicar do ataque. Além disso, foi interessante ver um jogo com três zagueiros sem sobra contra três atacantes.

Fontes:
Prancheta do Técnico -
http://www.pranchetadotecnico.blogspot.com/
Scout Online - http://www.scoutonline.com.br/

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