"Estes 25 dias com a gente foram sensacionais. Foi tudo muito impressionante. O Joel tirou a gente lá do fundo do poço e agora conquistamos o primeiro turno do Campeonato Estadual". As palavras emocionadas do lateral-direito Alessandro, logo após o triunfo por 2 a 0 sobre o Vasco, na final da Taça Guanabara de 2010, refletem o sentimento do Botafogo e de seus torcedores.
A referência temporal curta - menos de um mês - se baseia no período em que o treinador Joel Santana assumiu o banco de reservas do clube alvinegro, logo após uma humilhante goleada (6 a 0)sofrida justamente pelo rival da decisão.
Como principal tarefa, o ex-comandante da seleção da África do Sul tinha de reconquistar a confiança de atletas perseguidos pela torcida. Além do êxito, conseguiu conferir um padrão de jogo à equipe, que na semifinal desbancou o favorito Flamengo. Um mérito cujos fatores estiveram relacionados. E que contou com a participação de Maíra Ruas.
Psicóloga do clube, a jovem profissional desembarcou em General Severiano carregando a experiência do futsal do Vasco da Gama e o contato com Maria Helena Rodriguez, que há 23 anos desenvolve um projeto nas categorias de base do futebol cruzmaltino.
No fim de 2006, implementou metodologia semelhante no departamento de formação do Botafogo, atuando à frente de todas as categorias amadoras. Até que surgiu o convite do presidente Maurício Assumpção e de Ney Franco, então técnico da equipe principal, em 2008, para desenvolver atividades ligadas ao grupo principal também.
"Desde o mirim aos juniores, o atleta tem todo um relatório de atendimento. E quando ele migra para o profissional, carrega consigo todo esse histórico, utilizado por nós na adaptação a outra realidade", explica Ruas, que também esteve ao lado de Estevam Soares, em 2009, e agora compõe a comissão técnica de Joel.
Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, a psicóloga fala com mais profundidade sobre seu trabalho diário, o acompanhamento das relações midiáticas, a criação de um vínculo de confiança com os atletas e como está sendo moldado o perfil da agremiação a partir dos comportamentos atuais.
"O Botafogo traz a superstição como uma característica, e ela pode atuar positiva ou negativamente. A partir do momento que existe essa superstição, uma crença é criada, a qual se torna verdade para você".