Ed. física escolar e 3º setor
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Ao longo de cinco anos em que desenvolvi minha pesquisa de doutorado, estudando as práticas corporais em torno da infância negra brasileira do século XIX, pude aprender muitas lições com autores segundo os quais tive a felicidade de dialogar. Fito só de memória os textos de Michel de Certeau, Carlos Ginsburg, Roger Chartier, Edward Thompson, Norbert Elias e, em especial, os conceitos elaborados por Paul-Michel Foucault. Nesse período de empreendimento acadêmico não me desvinculei totalmente das discussões relacionadas à pedagogia e ao futebol, de tal modo que continuei aprofundando conhecimentos ou, pelo menos, acompanhando a produção na área.
Por ter terminado essa investigação e poder voltar a lume no que tange ao futebol e a complexidade que o envolve, neste ensaio pedagógico resolvi pensar em que sentido alguns conceitos, elaborados pelos intelectuais acima citados, contribuem para a discussão na área. Em especial, no que tange a sua interface com os múltiplos sentidos das práticas pedagógicas, dialogando com as várias representações presentes no imaginário social de professores e treinadores.
Primeiramente, decidi apontar as sinalizações fornecidas por Foucault para refletirmos sobre o papel da escola como disseminadora de verdades que certas camadas hegemônicas da sociedade produzem, por meio de práticas de controle, disciplina e governo. Para aprofundar essa questão é necessário dissecar os conceitos de verdade e experiência, considerando que as conceituações são propostas pelos pensadores/filósofos para dar conta dos problemas que eles mesmos criaram. Alguns desses conceitos são tão interessantes que podem ser transplantados para outros contextos, como é o caso dos pressupostos difundidos pelo filósofo francês relacionados aos sentidos da verdade e da experiência no escopo do debate educacional.