Entrevistas
09/07/2010
Claudio Borges, analista comercial do Manchester City FC
Brasileiro contratado pelo clube inglês aborda as relações entre o marketing com foco na torcida
Bruno Camarão

Para a próxima temporada européia, o Manchester City vem reforçando seu grupo de atletas. Após fechar a contratação de David Silva e confirmar Touré Yaya e Jerome Boateng, o clube inglês foca suas atenções em Lukas Podolski, destaque da seleção alemã na Copa do Mundo de 2010, e no marfinense Didier Drogba, do rival local Chelsa. Um potencial de investimento que reflete uma série de ações técnico-administrativas.

Um dos clubes mais ricos do mundo, assim que teve sua compra efetuada pelo grupo United Abu Dhabi em setembro de 2008, o City transpôs algumas barreiras e deixou de ser olhado apenas como o “primo pobre” da cidade que também acolhe o poderoso Manchester United. O alvo dos Sky Blues é crescer e ter força para competir com as maiores forças da Europa dentro e fora de campo, mas sem nunca perder de vista a tradição e a torcida, dois elementos que fazem do futebol um produto único.

Quem explica um pouco mais sobre a atual estrutura da agremiação inglesa, bem como o funcionamento dos departamentos profissionais e o planejamento estratégico da diretoria é um brasileiro que está radicado no Reino Unido. Claudio Borges é contratado do City como analista comercial e participa de projetos que lidam com a criação de receitas do dia de jogo e o aprimoramento do relacionamento com os fãs.

Formado em administração no Rio de Janeiro, com especialização em marketing, ingressou na modalidade por intermédio do tradicional curso de Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool. Passou por uma espécie de estágio no próprio City, e acabou convidado para desenvolver um trabalho mais amplo.

“Na prática isso consiste em analisar e otimizar diversos pontos, como o preço de ingressos, segmentação das arquibancadas, operação do estádio, pesquisas de marketing, áreas de hospitalidade e parcerias voltadas para a torcida. Como requisito preciso ainda estar sempre atento ao que acontece não só no mercado do futebol, mas também em outros esportes e opções de entretenimento”, explicou Claudio, nesta entrevista à Universidade do Futebol.

Um dos projetos mais recentes do Manchester City em que ele esteve envolvido foi o planejamento e a criação do Family Stand do estádio City of Manchester, arena multiuso que comporta mais de 47 mil pessoas. A partir de 2010/11, uma área da praça esportiva com capacidade para cerca de 8.000 pessoas receberá apenas adultos acompanhados de um menor de 16 anos.

“Existem áreas de serviço atrás da arquibancada com produtos e serviços voltados tanto para crianças como para adultos. É um projeto formidável do clube, pois visa resultados em curto e longo prazo. Em curto prazo, ele atende aos desejos de um grande número de torcedores. Em longo prazo, potencializa a aproximação com os futuros torcedores do Manchester City”, revelou.

Entre diversos temas, Claudio falou mais sobre ações específicas pensadas pela equipe de marketing do City, traçou um paralelo entre clubes do Velho Continente e a realidade brasileira, a questão das marcas e dos patrocinadores e de que forma seu país natal pode aproveitar as oportunidades com a realização de um evento como o Mundial de 2014.

“Os clubes brasileiros têm se desenvolvido de forma positiva nos últimos anos, com departamentos de marketing mais organizados e um maior número de profissionais verdadeiramente dedicados. Entretanto, em termos gerais ainda é preciso passar de um foco somente no produto para um foco maior no torcedor”.



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