Entrevistas
16/07/2010
Carlinhos Vergueiro, músico
Cantor e compositor relança CD Contra-Ataque e discute sobre a relação entre samba e o futebol
Bruno Camarão

O sorriso é franco e aberto. O papo, misturando música e futebol, parece agradar ao entrevistado. Talvez seja porque Carlinhos Vergueiro se sinta verdadeiramente um profissional da bola, apesar de desenhar lances com classe em outro campo artístico. E quando é convocado a refletir sobre suas paixões, ele se expressa de modo lúdico e competente: um craque.

Em meio a uma carreira que se aproxima de quatro décadas, o cantor e compositor invariavelmente se viu dialogando com esse esporte. Muitos foram os gols, seja reverenciando grandes nomes, como Zico, Raí, e Romário, ou saudando torcidas que o emocionaram, como em Nação Corinthians. Clubismo à parte, Carlinhos trata mesmo o futebol em um plano superior, mas com uma leitura bastante simples.

No seu début dentro dessa grande área, tabelou com Toquinho e compôs Camisa Molhada, referência aos tradicionais duelos nos campos de várzea. O sucesso apareceu já em seu terceiro LP, de 1976 – outros oito, além de seis CDs, completam a discografia.

“Foi a primeira música que fiz falando de futebol. Na várzea, é costume dizer que é melhor que o juiz não erre, e se errar que seja para o seu time. Do contrário, a gente tira e troca por outro”, brincou Carlinhos, nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol antes da apresentação “Show de Bola”, na última semana, no SESC Consolação.

Além de relembrar junto ao público parte de sua trajetória, o músico contou histórias – outro talento próprio de Carlinhos – sobre parcerias com quem manteve. Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Toquinho, Sueli Costa, J. Petrolino, Paulo César Pinheiro, Elton Medeiros, João Nogueira e Paulinho da Viola foram alguns dos que dividiram palcos e emoções com esse torcedor duplamente tricolor (Fluminense e São Paulo), mas brasileiro, sem demagogia, acima de tudo.

“Pode ser que eu esteja enganando a minha idade para mim mesmo, ou me enganando, simplesmente, mas quando estou assistindo a uma partida de futebol, eu reproduzo em minha mente algumas daquelas jogadas que realizava nas peladas nos campinhos”, revelou o cantor que teve seu samba Vendaval incluído no CD Os Grandes Sambas da História.

Entre outros vieses da cultura popular, Carlinhos falou ainda sobre as características intrínsecas do povo miscigenado, sua formação ligada a uma família de artistas e por que o samba é a música que nos apresenta ao mundo.



Universidade do Futebol – Como foi construída a sua relação com o futebol?

Carlinhos Vergueiro Desde garoto, pode parecer exagero, mas cantar, tocar e jogar futebol me acompanham. A música é até compreensível, por causa da presença do meu avô, pai da minha mãe, que passava grandes temporadas na minha casa – chamava-se Guilherme Fontainha.

Ele era um grande professor de piano e logo percebeu que meu irmão, Guilherme Vergueiro, e eu, tínhamos muito jeito para isso. Fomos cobaia de um método dele que tirava as dores do peso do braço.

Antes disso, eu já jogava bola. Meus presentes de natal sempre eram relacionados ao futebol, mas meu pai nunca foi ligado na modalidade, e sim ao atletismo. Ele, que fundou a Rádio Eldorado, dizia que era corintiano de brincadeira, e eu sempre fui tricolor.

Ter convivido neste ambiente musical sempre foi muito favorável para o desenvolvimento da minha carreira, mas ter me tornado um “jogador de futebol profissional” é algo inexplicável. A música e o futebol nasceram comigo. Não me lembro de não estar tocando, cantando ou jogando desde sempre.

Universidade do Futebol – Na apresentação do seu CD Contra-Ataque, que está sendo relançado pela Biscoito Fino, você diz que continua fazendo música e sonhando em ser jogador de futebol. O que significa isso?

Carlinhos Vergueiro É como se eu tivesse conservando meus sonhos de menino. E isso me faz, de certa forma, sentir-me sempre jovem. Pode ser que eu esteja enganando a minha idade para mim mesmo, ou me enganando, simplesmente, mas quando estou assistindo a uma partida de futebol, eu reproduzo em minha mente algumas daquelas jogadas que realizava nas peladas nos campinhos.

Sempre assisto aos jogos, e valorizo os bons jogos, acima das minhas paixões clubísticas. Vi todos do Corinthians no ano passado, em que o Ronaldo esteve em campo – ele é um cara cuja carreira sempre acompanhei. O mesmo vale para o Santos, desde o surgimento do Robinho, passando pelos dias de hoje, com o Ganso e o Neymar.

Mas eu adoro jogar, também. Entre assistir e ficar em frente à TV, prefiro estar em campo.

Nunca parei de compor em épocas ruins. Continuo tendo prazer em produzir, compor e fazer parcerias, como a atual com a minha filha Dora Vergueiro e o Afonso Machado, algo que me renovou, rejuvenesceu. E a parceria na música, para mim, é como se fosse a marcação de um gol.

Me recordo de uma história com o João Nogueira, quando estávamos compondo um samba, e estava difícil de encontrar um fechamento interessante. No momento que deu certo e a música apareceu, instintivamente, demos um salto e nos abraçamos.

Eu vejo uma relação muito grande entre o futebol e a música. E não continuo sonhando: eu tenho certeza de que sou um jogador profissional (risos).



 Capa e contracapa de Contra-Ataque, obra que Carlinhos Vergueiro relança em 2010, com três faixas inéditas

Universidade do Futebol – “Camisa Molhada” foi a primeira música feita por você inspirada em futebol, em parceria com o Toquinho?

Carlinhos Vergueiro Depois que eu me profissionalizei, nos meus dois primeiros LPs, as músicas foram feitas, como diria Adoniran Barbosa, “comigo mesmo”. Já na terceira obra, ela foi lançada com uma tarja referencial: “incluindo Camisa Molhada”. É uma música que fez sucesso, e o Osmar Santos passou a utilizá-la como uma espécie de vinheta no momento da entrada da arbitragem em campo, nos jogos.

Foi a primeira música que fiz falando de futebol, mas especialmente sobre o futebol de várzea. Na várzea, é costume dizer que é melhor que o juiz não erre, e se errar que seja para o seu time. Do contrário, a gente tira e troca por outro.

Eu tive essa ideia e gravei com o Toquinho, em 1976. Ele é um cara muito ligado em futebol, corintiano roxo, e fundamos juntos até um time, o Namorados da Noite.
 

Sou do Namorados da Noite
Corpo, alma e coração
Tiveste a grande glória de nascer
Com a sina de vencer
E ser um time campeão

Oh! Meu Namorados da Noite
O teu destino é brilhar
Tens a poesia das noites de luar
E a alegria de um dia de sol
Uma estrela guia veio iluminar
A magia do teu futebol

Com raça, elegância e galhardia
Superas com bravura teus rivais
Guardas no passado histórias e emoções
De vitórias imortais 


Universidade do Futebol – Em um trecho de Camisa Molhada, você indica que “a vontade é de graça e a vitória é a taça do fim de semana”. Por que na várzea é assim?

Carlinhos Vergueiro Assim deveria ser sempre, e não apenas na várzea. E o brasileiro tinha muito disso. Me lembro quando conheci o Reinaldo, do Atlético-MG, um dos maiores jogadores de futebol que vi, durante uma partida entre artistas e profissionais.

A música me permitiu jogar com grandes nomes do futebol, como Sócrates, Júnior, Zico, Toninho Guerreiro, Luís Carlos, Adãozinho, Rosemiro, porque o jogador de futebol geralmente é ligado ao samba ou à música popular.

À noite, quando saímos e sentamos para conversar, relembrando histórias, o Reinaldo passou a me descrever lances que ele havia protagonizado como se fosse falando de uma pelada, mas na verdade era um jogo oficial da seleção brasileira. E eu me via refletido ali, pois também descrevo depois de uma pelada na esquina, entre os amigos, uma jogada que eu fiz ou deixei de fazer.

Vi que o Reinaldo não perdeu esse sentimento lúdico do boleiro. Acho isso algo muito lindo. Era o Reinaldo, o Rei de Minas, da seleção brasileira, relembrando um fato que não saía da cabeça dele. Como se fosse uma criança.

Quando se joga na várzea, aquele momento é mágico, é uma final de Copa do Mundo, a vida daquelas pessoas está em jogo. No momento em que time do Brasil, por exemplo, consegue incorporar um pouco disso, é muito difícil de ser batido.


Universidade do Futebol – Você também cita o Garrincha...

Carlinhos Vergueiro Eu tive a oportunidade de ouvir uma entrevista feita pelo Rui Sobel, um amigo botafoguense, com o Garrincha, que falava com grande orgulho sobre os 50 gols que ele havia marcado vestindo a camisa de um time que conheci em São Paulo, o Milionários.

Perceba: um cara que foi protagonista em título de Copa do Mundo, fez história em um dos maiores clubes do Brasil, e fala do Milionários, onde ele atuou após encerrar a carreira, com a mesma alegria e naturalidade como se falasse da seleção brasileira. Isso é genial.

Esta última seleção teve até propaganda em cima, ratificando o “grupo de guerreiros”, a ida a uma “guerra”. O futebol é um jogo de malícia, de esperteza. Um jogo. E o brasileiro sempre se caracterizou pela malandragem, no bom sentido, pela criatividade, pela habilidade com a bola, por essa molecagem, algo que não pode ser perdido.

Se você tem essas características e não as usa, fica em desvantagem em relação aos adversários que são originalmente mais mecânicos e historicamente mais defensivos.

Universidade do Futebol – Tanto Mário Filho, quanto Gilberto Freyre, apontam relações da ginga do brasileiro com a miscigenação entre negros, índios e brancos, e o desenvolvimento da capoeiragem e do samba. Você também acredita que isso seja um dom ou uma habilidade inerente ao nosso povo, e consequentemente aos músicos e futebolistas?

Carlinhos Vergueiro Não tenha dúvida. Os negros e a miscigenação foram importantíssimos para que o Brasil tivesse a música, o ritmo e a ginga que mantemos até hoje.

O presidente Lula recentemente discursou, na Copa do Mundo da África do Sul, falando que nosso país é uma mistura de negros, índios e europeus. “E aí nasce gente como eu”, ele brincou.

A seleção francesa só foi campeã mundial a partir da entrada dos negros, algo que a direita política local achou um horror. Já os reacionários dos Estados Unidos dizem que futebol é um esporte de pobre, latinos e negros. Mas apesar disso, trata-se de algo tão maravilhoso e mágico que, na última Copa, eles bateram recordes de audiência na TV de esportes como basquete e beisebol.

Como eles fazem as coisas bem feitas e têm miscigenação, é bem provável que os norte-americanos irão jogar cada vez melhor. Não sei por que em Cuba não há o desenvolvimento do futebol, já que os negros de lá têm tanta ginga e personalidade.

Acho que está demorando também para um time da África, inclusive, alcançar resultados mais positivos em termos de competições internacionais. A Alemanha, por outro lado, apostou em descendentes de turcos, poloneses e até um brasileiro nessa nova safra.

Toda a mistura é produtiva e legal, e toda forma de racismo é algo horrível e prejudicial ao aspecto coletivo.

Universidade do Futebol – Você vê alguma relação entre o talento esportivo e a formação dos brasileiros para a música? Considera que ambos se apresentam como meios para expressão da criatividade e que o músico brasileiro é diferente dos demais?

Carlinhos Vergueiro O músico brasileiro é diferente por causa da parte rítmica, com certeza. O Brasil é o país mais rico, ritmicamente falando. No Nordeste, em Recife, por exemplo, temos Maracatu, Frevo, é algo espetacular. E esse suingue que o negro tem, e nós brasileiros, por consequência, herdamos, por sermos todos mestiços, ninguém tem.

Se for feito um Blues, o norte-americano vai fazer melhor; se for um Tango, o papel protagonista será do argentino. Mas ninguém faz um samba melhor do que nós, brasileiros.

Para crescer, um país tem que saber do seu passado e acreditar na sua história. Quando vou à Lapa, no Rio de Janeiro, vejo na maioria das casas muitos jovens cantando sambas “antigos”, porque foram feitos há muito tempo, mas que têm um toque de modernidade.

O samba é muito interessante, faz as pessoas se mexerem, e os brasileiros são grandes letristas. Tenho a impressão de que se nossas canções fossem compostas em inglês, uma língua mais universal, mais pessoas ficariam boquiabertas com a qualidade de nossas produções e de nossos letristas e poetas, como Vinícius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.

Noel Rosa, Geraldo Pereira, Wilson Batista, são alguns exemplos moderníssimos, com suas divisões musicais, suas letras, apesar de terem composições datadas de 1930, 1940.




Carlinhos com alguns de seus parceiros, como Chico Buarque, companheiro de Politheama, o corintiano Toquinho e a filha Dora Vergueiro

Universidade do Futebol – Essa falta da devida valorização da música e dos compositores brasileiros é um processo só relacionado a essa esfera, ou é algo que acompanha a nossa sociedade civil de maneira mais abrangente?

Carlinhos Vergueiro O Nelson Sargento há um tempo já disse que o “samba agoniza, mas não morre” – uma forma de dizer que o samba é tão forte que por mais que ele não seja executado e seja discriminado, sempre continuará presente. Atualmente acredito que essa realidade esteja um pouco melhor.

Não sou nem economista, nem cientista social, mas acredito que seja tudo uma questão política. A mídia, o mercado, todos eles não gostam que as pessoas progridam. Sob o argumento de que o povo é burro, ou que o povo não gosta de coisas mais requintadas e assimile apenas situações mais “fáceis”, eles não oferecem a esse povo o “resto”.

Conheci o Cartola, que era preto, pobre, criado no morro de Mangueira, e ele foi um dos caras mais sofisticados musicalmente e poeticamente falando que conheci. E quando dão chance para a música do Cartola aparecer, não só o povo gosta, como ela fica eterna.

Peguemos o Adoniran (Barbosa), o cara mais popular que conheci na minha vida, sem mídia, e ele é cantado do Oiapoque ao Chuí. Inclusive na Itália, quando estive, o Trem das Onze, que lá é chamado de Filho Único, era apreciado com muita força.

A Bossa Nova é uma batida que começou com as músicas de Tom e Vinícius de Moraes, e o João Gilberto regravou com a voz dele sambas antigos de Noel, de Geraldo Pereira, Wilson Batista, Mariano Pinho. Isso ganha o mundo, justamente por ser um produto genuinamente brasileiro.

Em Cuba, eles conhecem e admiram a música brasileira mais do que muitos brasileiros. Eles têm uma levada no baixo muito suingada, também reflexo dos negros, que se reproduz nas “cadeiras”, na cintura. Nós temos um movimento peculiar nos pés.

Assisti uma vez ao Silvio Rodriguez ou ao Pablo Milanés, não me recordo. Um deles estava tocando uma música do Chico Buarque, crente que era samba, mas invariavelmente puxava para a Salsa.

Fiz uma canção chamada Sonho de Salsa e, no estúdio, tinha a intenção de gravar no ritmo cubano. Mas mesmo com músicos maravilhosos, acabávamos caindo no samba. No meu caso, eu chamei o ritmo de “coentro”: uma mistura entre a salsa e o samba (risos).

A música que apresenta o Brasil é o samba. E eventualmente ela é mais valorizada fora do nosso país, inclusive no Japão. Tom Jobim e Pixinguinha foram acusados pelos puristas por incorporar coisas boas de fora ao seu jeito, na sua música. Mas em minha opinião essa troca é o que noz faz crescer.
 


 

Universidade do Futebol – Qual a leitura que você faz entre o futebol enquanto arte, manifestação artística, mesmo, e o futebol enquanto negócio?

Carlinhos Vergueiro O futebol virou o maior negócio do mundo. Gostaria que valorizassem tanto o samba e a música como o futebol. Muita gente vive desse esporte, ganha dinheiro com isso, e se não prejudicar a ninguém, tudo bem.

Mas como o Brasil é um país pobre, os jogadores saem cada vez mais cedo. O ideal seria que tivéssemos estrutura para mantê-los aqui. Mas sou ruim em negócios, não entendo: o que é péssimo.

Às vezes o cara tem muito talento para a arte e pouco para o negócio. E vice-versa. Só que este acaba levando vantagem em relação àquele. É uma situação que vale tanto para a música, quanto para o futebol e todo o resto.

Universidade do Futebol – Outro de seus parceiros, o Chico Buarque, em uma crônica sobre futebol, chega à constatação de que o modo de agir dos jogadores sul-americanos os faz parecerem os donos da bola, em oposição aos europeus, donos do campo. Qual seu pensamento sobre isso?

Carlinhos Vergueiro Creio que era isso, mesmo. Os americanos vinham até o Brasil, também, e incorporavam à sua música o que tinha de bom aqui, mas sem deixar de reproduzir as melhores qualidades deles. E acontece a mesma coisa com o futebol.

Os alemães e os espanhóis não deixaram de ter a disciplina tática de anteriormente, mas deram um valor maior à criatividade. Já os africanos, em contrapartida, que tinham um futebol super irreverente, irresponsável, no bom sentido, maluco, pegaram técnicos europeus que em vez de incentivar o que eles tinham de melhor e dar certo padrão de jogo, acabaram tolhendo aquela magia. Isso é ruim.

O mesmo vale para o Brasil. Se não jogar como Brasil, vira uma presa fácil. Os nossos atletas estão espalhados por diversas potências pelo mundo, o que ajuda às outras escolas de futebol apreender algo das nossas características.

Somos um celeiro: vão muitos, e nascem outros. E boto fé que nesse projeto para 2014 as pessoas apostem na rapaziada que já deveria ter ido para a seleção brasileira com o Dunga, como o Ganso o Neymar e até o Ronaldinho Gaúcho. Eles poderiam ter dado um ar diferente no banco de reservas, pelo menos.

Tenho a impressão de que essa lição foi entendida e que o próximo técnico irá arejar mais o grupo daqui por diante.



 

Universidade do Futebol – No Contra-Ataque, três faixas são inéditas: Romário, Linhas de Prazer e Irresistível. Poderia falar um pouco sobre cada uma delas?

Carlinhos Vergueiro O Romário foi uma música que eu gostaria muito de ter feito quando lancei esse disco pela primeira vez, de maneira independente, há 11 anos, e não consegui. Ela foi construída por causa de uma frase que li, em que o Romário recomendava ao Ronaldinho Gaúcho nunca perder o romantismo na vida dele.

Essa frase me deu o mote, fiz o samba, e gosto muito da letra. Usei o Romário para fazer as pessoas não deixarem de acreditar na beleza do jogo.

O Linhas de Prazer nasceu durante um show para ex-jogadores de futebol, em Santos, e na platéia estavam Dorval e Mengálvio. Naturalmente, me vieram à cabeça Coutinho, Pelé e Pepe. Antes da apresentação, havia conversado com o Paulo César Lima, que lembrou um time do Botafogo formado por Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo.

E resolvi fazer um samba sobre essas famosas linhas, acrescentando a primeira que decorei, do São Paulo – Maurinho, Amauri, Gino, Zizinho e Canhoteiro, que ganhou uma final do Corinthians em 1957 –, e em homenagem à seleção de 1970, que completa 40 anos do tricampeonato mundial: Jairzinho, Gérson, tostão, Pelé e Rivellino.

O Irresistível faz parte de uma fornada de músicas que fiz em “triceria” com minha filha Dora Vergueiro e o Afonso Machado. O samba surgiu após o lançamento do CD dela, "Samba Valente", e fiz questão de registrar no Contra-Ataque, também.

Universidade do Futebol – Qual a análise que você faz sobre a produção cultural focada no futebol, especialmente em se tratando de canções, peças e filmes?

Carlinhos Vergueiro Nos Estados Unidos, percebo que se consegue produzir grandes filmes com esporte. Já em nosso país, o campo ainda está bem aberto para documentários e longas-metragens. Gosto muito de Boleiros, do Ugo Giorgetti, mas o futebol é um tema que sempre “dará samba” e estará integrado com o mundo da arte.

Leia mais:
Por que não se discute o racismo no futebol brasileiro?
O negro no futebol brasileiro e o racismo existente
Memórias sobre a conquista de 1958
A influência do drible e da finta na marcação de gols
O futebol: "veneno remédio" do Brasil
Que ginga é essa?
Representações do futebol e da identidade nacional na canção de Chico Buarque
Futebol brasileiro e modernidade: por uma sociologia do futebol
Entrevista: José Melquíades Ursi, filósofo
Entrevista: João Paulo Florenzano (parte 2) 
Entrevista: José Carlos Asbeg, diretor de ‘1958: o ano em que o mundo descobriu o Brasil’ 



Publicidade
Vídeos

 
Publicidade
Publicidade