Deixado em segundo plano por boa parte dos clubes de futebol brasileiros, o tratamento dentário pode ser determinante quanto às condições físicas e ao desempenho de um jogador profissional. Muitas vezes condicionada apenas ao padrão estético, a odontologia é de enorme importância para profissionais da área da saúde, inclusive na avaliação de esportistas de diferentes setores.
E não é apenas na prevenção contra doenças que o especialista se faz necessário. O acompanhamento durante competições e treinos é essencial para o tratamento de lesões bucais sofridas durante a prática esportiva. Episódios como o do lateral-direito Maicon, destaque da seleção brasileira na Copa do Mundo, reforçam a necessidade de um profissional da área que componha a comissão técnica.
Em partida válida pela semifinal da Liga dos Campeões da Europa, o jogador da Inter de Milão quebrou um dente incisivo (da frente) em uma trombada com o argentino Lionel Messi, do Barcelona.
Especialista em odontologia do esporte e traumatismo dentário, Alexandre Fonseca Barberini é um incentivador do acompanhamento multi e interdisciplinar do departamento médico em departamentos profissionais de futebol. Em entrevista à Universidade do Futebol, ele descreveu o panorama atual das agremiações brasileiras e solicitou uma mudança consistente no padrão já implantado.
"Os clubes de futebol, em sua grande maioria, não possuem em sua equipe de saúde a presença do dentista, onde o atendimento odontológico é executado por planos odontológicos ou profissionais autônomos que executam os trabalhos em consultório particular. Desta forma, cabe ao atleta buscar o atendimento quando julgar necessário e nem sempre o faz com frequência", explicou.
Barberini, que ocupa o cargo de presidente da Sociedade Brasileira de Odontologia do Esporte (SBOESP), também reforçou a importância do atendimento especializado desde as etapas de formação de atletas e pleiteou a introdução de peritos do ramo em entidades esportivas.
"O dentista do esporte deve detectar, tratar e prevenir as doenças do sistema bucal que possa interferir e comprometer o desempenho físico dos atletas, e saber diagnosticar doenças do corpo que se manifestam na boca", apontou o professor, que também atua como dentista do departamento médico da Confederação Brasileira de Boxe (equipe olímpica) e do São Bernardo F.C.
Entre outros assuntos, Barberini comentou sobre a importância dos protetores bucais e o uso inadequado deste aparato por diversos jogadores profissionais. "Desde as categorias de base, uma das principais doenças que interferem na performance do atleta do futebol é a síndrome do respirador bucal que acomete principalmente crianças e adolescentes e provoca alterações estruturais significantes, dificultando a respiração noturna e baixando sua capacidade aeróbica".