Entrevistas
20/08/2010
Manoel Barrionuevo, preparador físico da seleção da Jordânia
Brasileiro fala sobre trabalho na Jordânia e planejamento para a formação de novos jogadores
Equipe Universidade do Futebol

Com uma economia frágil que depende da exploração do turismo e de poucos recursos naturais, e um histórico político recheado de guerras e adversidades, a Jordânia também estende sua lista de dificuldades para o âmbito esportivo. No futebol, por exemplo, o país árabe ainda sofre com a falta de profissionalismo nos principais clubes nacionais, mas segue em busca de seu espaço entre as principais nações asiáticas.

O futebol jordaniano chegou a ganhar novos ares com o apoio do jovem príncipe Emir Ali Bin Al-Hussein, presidente da federação nacional de futebol. Desde o início do século, Al-Hussein procurou reforçar a importância deste esporte, estabelecendo medidas ambiciosas no comando da entidade, como a chegada, no ano 2000, de um dos melhores técnicos do Oriente Médio, Mahmoud Al Gohary, para comandar a seleção principal.

Durante os dez anos seguintes a Jordânia foi responsável por conquistas significativas para os padrões do país. As classificações para a Copa da Ásia dos anos 2004 (feito inédito até então) e 2011, transpareceram a evolução na modalidade que vem sendo alcançada na região.

Formado em Educação Física e com especialização em metodologia científica do treinamento, o preparador físico Manoel Barrionuevo, também conhecido como Nenê, certamente pode ser considerado um dos responsáveis pelo progresso do futebol jordaniano nos últimos anos. Ele faz parte de um coletivo de brasileiros - tanto jogadores como membros de comissões técnicas -, que atuaram e atuam neste mercado oriental.

"Ao longo dos muitos anos trabalhando nos países do Oriente Médio, eu tenho visto uma enorme contribuição por parte de vários profissionais brasileiros. Muitos deles demonstram ter boa capacidade de trabalhar junto aos jogadores nativos", revelou Barrionuevo, nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol.

Em sua avaliação, o sucesso dele e de seus compatriotas está condicionado à compreensão de cultura, hábitos e costumes particulares. Dessa forma, paulatinamente, a confiança é consolidada e o processo de formação de novos atletas, inclusive, torna-se facilitado.

Após estagiar em alguns dos maiores clubes do mundo, Barrionuevo aceitou a proposta da Federação da Jordânia para compor o staff da seleção local. Em sua nova casa, o profissional se deparou com enormes discrepâncias em relação ao Brasil, como o amadorismo e as interferências de aspectos religiosos e climáticos no desenvolvimento das atividades.

"O futebol na Jordânia ainda é amador. Os jogadores têm empregos paralelos ao futebol; sendo assim, têm que intercalar o seu trabalho com os treinamentos e jogos, ficando muito difícil para se organizar treinamentos em dois períodos, e com melhor qualidade", apontou.

A busca de contornar as diferenças sócio-culturais e as adversidades no trabalho e quais medidas procura tomar para elevar a qualidade e a importância do futebol na Jordânia também são abordadas com mais profundidade por Barrionuevo. Um dos desafios dele é difundir cada vez mais o esporte entre os jovens e selecionar novos talentos.



Publicidade
Vídeos

 
Publicidade
Publicidade