São mais de cinco décadas dedicadas ao futebol. Praticamente uma vida, da qual o professor José de Souza Teixeira se orgulha imensamente. Não apenas pelo fato de ter sido um dos pioneiros da inserção da preparação física dentro da modalidade ou por ter participado ativamente de momentos importantes de clubes e seleções no Brasil e no exterior. Mas exatamente porque o experiente profissional não para de viver.
"Sempre fui muito exigente comigo. Procuro desenvolver novos planos, estudar, dar palestras, etc. Dou muito valor à base científica e às pesquisas", revelou o senhor que tem uma jovialidade impressionante aos 75 anos e diversos causos para contar. Muitos deles estão publicados em "A história de um tabu que durou 22 anos", livro de 2005 e que retrata os momentos mais adversos do clube paulistano que comemorou seu centenário nesta semana.
Pelo Corinthians, professor Teixeira atuou nas mais diversas frentes. Foi treinador de equipes de base e também do departamento de futebol profissional, seja como interino, ou efetivado - com o apoio irrestrito de Vicente Matheus. No momento em que viu o time do Parque São Jorge romper o hiato sem títulos, entretanto, ele era o preparador físico da comissão técnica comandada por Oswaldo Brandão, uma de suas grandes referências.
Além do saudoso treinador que brilhou também no arquirrival Palmeiras, Teixeira carrega as lembranças e as bases de outros companheiros, como Vicente Feola, Flávio Costa, Zezé e Aymoré Moreira, e Filpo Nuñez. Foi um rival mais "moderno", entretanto, quem mais causou dificuldades em um momento de duelo estratégico de jogo - marca que sempre acompanhou o professor Teixeira. Trata-se de Vanderlei Luxemburgo.
"Ele tinha o costume de ficar esperando uma substituição do outro time para rebater na sequência, trocando de jogador, também. Perfil diferente do Telê Santana, por exemplo, outro vencedor, mas que preferia valorizar a sua formação em detrimento da do adversário", comparou.
Remanescente de uma época romântica do futebol, Teixeira pode ser considerado um vanguardista. A busca pela análise constante e pelo amparo técnico-científico sempre permeou suas atividades, seja em campo, na preparação física e no treinamento desportivo, ou fora dele, ministrando aulas, prestando consultorias e desenvolvendo novos projetos.
"Se não ganhar, entretanto, nada tem valor. Mas se você fizer tudo perfeito dentro de estudos e análises, a chance de obter a vitória é bem maior. Por isso que os jogadores entendem. Pois você os trata como seres humanos, como pessoas capazes de entender uma informação e pensar na resolução dos problemas. O grupo de trabalho se faz por intermédio da união", completou, nesta entrevista realizada à Universidade do Futebol.
Entre outros temas, Teixeira, que está prestes a lançar mais uma obra ("50 anos por dentro do futebol", narrando de maneira didática todas as suas experiências profissionais), falou sobre sua passagem pelo Oriente Médio, como o empirismo ainda molda as relações no esporte e por que o título Sul-Americano Sub-20, conquistado com a seleção brasileira, foi tão marcante.