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Bruno Baquete
Colaborador

Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em 2010. Mestrando em Ciências do Desporto na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (Aluno Especial).

Dentre os trabalhos mais recentes foi analista de desempenho tático para técnicos e equipes de futebol. Foi treinador adjunto na base do Paulínia F. C e A.A. Ponte Preta. Foi coordenador técnico de escolas de futebol. Atualmente é assistente técnico nas categorias de base do Sport Club Corinthians Paulista.

Nos anos de 2010 e 2011 participou como professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação na Universidade Gama Filho e na Universidade Estadual de Campinas.

Além disso foi professor no curso Curso Master em Técnica de Campo promovido pela Federação Paulista de Futebol em parceria com a Universidade do Futebol.

Dedica-se ao estudo e aplicação de uma metodologia pautada nas novas tendências do treinamento esportivo no futebol.

Coluna
Os tipos de jogos: o técnico, o conceitual, o específico e o contextual
Não basta saber criar um jogo, mas é preciso saber ao certo quando, onde, para quê e por que razão aplicá-lo
16/10/2011

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Há algum tempo venho defendendo a utilização dos jogos como ferramenta para o desenvolvimento integral de atletas. Tenho destacado também que não basta criar vários jogos a esmo: o fundamental é que elaboremos um processo adequado em que cada jogo terá ligação com os demais.

Nesta coluna vamos discutir quatro tipos básicos de jogos para o desenvolvimento do jogar dos atletas: os técnicos, os conceituais, os específicos e os contextuais. Existem outras classificações de jogos, como os jogos gerais, os jogos pré-desportivos, jogos lúdicos, jogos populares, jogos cooperativos, que de certa forma contribuem para o desenvolvimento dos atletas, mas não serão foco de nossa discussão.

Dentro das quatro classes de jogos que iremos discutir, cada um tem seu objetivo específico e organização própria.

Comecemos pelos jogos técnicos.

Os jogos técnicos, como o próprio nome já apresenta, tem como objetivo o desenvolvimento técnico dos jogadores em ambiente de jogo. Nessa classe, os jogos geralmente são estruturados quanto a suas dimensões, número de jogadores, equipes, tempo, local do campo, em função do fundamento em questão.

Por exemplo, se quero desenvolver a finalização de curta distância, posso criar um jogo de 2x2 dentro da área. Já se quero desenvolver o passe, posso criar um jogo de 6x6 em meio campo, no qual a equipe marca ponto se trocar 10 passes.

Além disso, é preciso pensar sobre como gerar sobrecarga no processo de seleção da informação, tomada de decisão e ação do jogador, pois para gerar um ambiente de aprendizagem é preciso trazer um problema condizente com a zona de desenvolvimento proximal do atleta.

Nos jogos conceituais, o que se preconiza é o desenvolvimento de conceitos de jogo que se aplicam em diferentes situações. Nesses jogos, os atletas são submetidos a estímulos que visam desenvolver o entendimento individual e coletivo de alguns conteúdos gerais e específicos do jogo.

Por exemplo, imaginemos uma situação hipotética em que preciso modificar o tipo de marcação de minha equipe, da marcação mista para a zona. Para que esse processo seja realizado de forma adequada, os jogadores precisam entender o conceito de marcação por zona em jogos conceituais, no qual o espaço geralmente é menor e as situações problemas ficam mais evidentes.

Sendo assim, ele tomará consciência das premissas, dos conceitos e implicações desse novo conteúdo em questão e a transição do tipo de marcação acontecerá de forma adequada.

Nos jogos conceituais, os campos, o número de jogadores e suas dinâmicas são variadas e se adequam, agora, aos conceitos que precisam ser desenvolvidos.

Os jogos específicos: nesse tipo, os conceitos são abordados em ambiente específicos. Isso significa que os conceitos desenvolvidos nas atividades conceituais são transportados para situações mais próximas às realidades específicas do jogo formal.

Por exemplo, após o desenvolvimento do conceito da marcação por zona, em que o jogador entenderá que sua movimentação precisa ser realizada em função da posição da bola, dos espaços e de seus companheiros, ele será submetido a situações específicas no campo de jogo. Nele, o tipo de marcação se somará ao esquema tático, as regras de ação e ocupação de espaço da equipe.

Nessas atividades, as regras do jogo em si são respeitadas, enquanto que nas atividades conceituais pode haver gols próximos um dos outros ou campos com dimensões bem reduzidas, fato que não ocorre nesse tipo de jogo. O campo pode ser reduzido, mas não descaracterizado, ou seja, não pode haver um gol dentro do círculo central do campo, por exemplo.

Nos jogos contextuais, o objetivo é preparar a equipe para o jogo do fim de semana. Nesse tipo de jogo, as características do adversário são levados em conta e as atividades são construídas a fim de que minha equipe se prepare para resolver os problemas impostos pelo adversário e/ou manipulá-los contra o mesmo.

Esses jogos acontecem geralmente em ambiente específico e são amplamente utilizados em equipes profissionais.

Cada jogo possui suas características particulares que se integram dentro de um processo de formação de equipes. Cada um tem sua importância e funcionalidade ao longo do planejamento, mas é preciso cuidado para organizá-los ao longo dos anos, meses, semanas e dias...

Não basta saber criar um jogo, mas é preciso saber quando, onde, para quê, por que...

Na próxima coluna apresento exemplos de cada um desses jogos.

Até a próxima.

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br 
 

Tags: Jogo , técnico , especificidade , regras , treinamento esportivo , Setor Técnico

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