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Entrevista
06/07/2012 00:00:00
André Rocha, jornalista e autor do blog "Olho Tático"
Profissional busca elucidar de modo prático as questões táticas do jogo e faz análise da Eurocopa de 2012
Bruno Camarão

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No Brasil, há uma espécie de cultura da brincadeira, algo que é analisado com mais profundidade pelo jornalista inglês Tim Vickery, radicado na América do Sul há alguns anos. Segundo ele, o torcedor vibra a favor de seu time e contra o adversário apenas para tirar o sarro, para fazer uma gozação no dia seguinte com seus companheiros. Isso, claro, existe no mundo todo, mas no país pentacampeão é algo ainda maior.

Quem cita Vickery é André Rocha, outro representante da imprensa esportiva nacional. O carioca que administra o blog “Olho Tático”, um dos espaços mais acessados no site Globoesporte.com, entende que a preocupação com o resultado é demasiada.

“A análise mais complexa do jogo, a busca pela beleza, pela qualidade do desempenho, fica em segundo plano. E os treinadores têm que ganhar mesmo que a equipe dele esteja jogando bem e não alcança as vitórias em um período”, resume o profissional que aos 10 anos “decorava escalações de times, desenhava esquemas táticos nas últimas páginas dos cadernos escolares e narrava partidas imaginárias no chuveiro”, conforme descrição pessoal em sua página virtual.

André acredita que a visão sobre o futebol brasileiro deve passar por uma reciclagem: não ser completamente tecnicista, mantendo seus traços culturais, mas com a essência do jogo sendo valorizada. Os grandes clubes e as seleções brasileiras da modalidade só irão rever seus momentos especiais quando o trabalho coletivo novamente funcionar em benefício do talento. E a contribuição deste jornalista e escritor passa diretamente pela plataforma de conteúdo.

Antes do “Olho Tático”, onde ele “encara o desafio de tornar interessante, de forma simples e didática, um tema considerado ‘difícil’, mas fundamental para entender o futebol”, André já escrevia e chegou a comentar partidas na TV a partir de uma indicação do amigo Mauro Beting, com o qual construiu uma relação muito positiva.

O fruto da parceria se apresentou em dois livros: “As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos” e “1981”, sobre o Flamengo campeão da Libertadores e do mundo, time que despertou no então menino André a paixão pelo esporte. E no hoje pesquisador, o interesse por entender as razões de aquele grupo comandado por Zico ter sido tão fantástico e eficiente.



 

Universidade do Futebol – Fale um pouco sobre como surgiu sua relação com o futebol e o nascimento da ideia do Olho Tático.

André Rocha – Minha relação começa desde criança, aos 7, 8 anos de idade. Acompanhava o futebol de forma apaixonada, e os dois grandes times que me chamaram mais atenção foram o Flamengo de 1981, com Zico, Leandro, Junior, e a seleção brasileira de 1982, com eles três, e mais Falcão, Sócrates, etc.

A partir de 2005, quando trabalhava com outras coisas, comecei a participar de redes sociais e descobri um espaço de discussão no Orkut, chamado “Doentes Por Futebol”. Por ele cheguei a uma comunidade do Mauro Beting.

Lá, havia a oportunidade de comentar, apresentar opiniões, análises, etc. A forma como eu me colocava começou a chamar a atenção do Mauro, e começamos a trocar figurinhas. Quando ele foi contratado pelo Lance!, no final de 2006, me convidou para ser colaborador do blog dele.

Gostei da experiência, e pouco tempo depois fui indicado pelo próprio para uns testes na TV Esporte Interativo. Era um comentarista convidado, e aprovei muito a experiência, apesar de não ter sido contratado.

Depois disso, fiz faculdade de Jornalismo e criei um blog próprio, o Futebol & Arte, no qual escrevi sobre tudo – inclusive, futebol.

A Abril Digital, à época, estava formando um grupo de blogueiros e recebi o convite para participar do projeto. Meu público começou a ser construído aí, especialmente por causa do futebol.

Mantive contato neste período com o Lédio Carmona e o Gustavo Poli, ambos do Globoesporte.com, e surgiu a ideia de criar um blog específico sobre análises táticas, algo sobre o que eu sempre gostei de escrever.

Propus a criação de uma página especial sobre esta temática, e o Poli, editor-chefe do site, se interessou pela iniciativa. Estou lá desde marco de 2010, e hoje o “Olho Tático” é um dos blog mais acessados do GE.com – são aproximadamente 10 mil acessos por.

Com o Mauro, ao lado do Dassler Marques, participei como colaborador do livro “As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos”. E pouco tempo depois, surgiu a possibilidade de parceria, proposta por mim, com o Mauro, de escrever sobre os 30 anos da conquista da primeira Libertadores e do primeiro Mundial pelo Flamengo.



Confira todas as colunas especiais de Mauro Beting publicadas na Universidade do Futebol

 

Universidade do Futebol – O Flamengo de 1981 foi despertou em você a paixão pelo futebol, virando, inclusive, mote de uma reflexão literária. O que você destacaria naquela equipe?

André Rocha – Há o que chamava a atenção do menino de 8 anos e do pesquisador. Do menino, toda a capacidade de mobilizar multidões que aquele time tinha. De envolver as pessoas não apenas com o futebol, mas aquela questão da técnica aliada à vontade. Aquele time dava a impressão de que sempre iria conseguir o resultado positivo de alguma maneira.

Como pesquisador, destacaria a capacidade – e é por isso que o time conseguiu as conquistas que nenhum outro obteve dentro do clube – de não se envolver com a panela de pressão interna na Gávea. Seja por causa das crises, das cobranças da torcida, da imprensa, etc.

Aquele time não se abalava nos momentos negativos, nem entrava com salto alto em um maré positiva. Foram jogadores que criaram uma redoma de profissionalismo que fez com que nada os abalasse.

O Flamengo ganhou o Estadual, a Libertadores e o Mundial, todos em 1981, virou o ano e em abril de 1982 já era Campeão Brasileiro. Isso é inimaginável hoje, primeiro por conta da questão do desmanche: um jogador como o Zico, ou como o Júnior, provavelmente sairia para algum clube europeu.

Tratou-se de um time que venceu de uma forma diferente. E, obviamente, por causa da grandiosidade da torcida, o impacto dessas conquistas acabou sendo ainda maior.



 

Universidade do Futebol – Você trata do tema “tática” com muita propriedade, apontando aspectos muito tecnicistas, especialmente termos, mas com uma linguagem muito receptiva ao público. Qual é a importância da adaptação dessa linguagem para chegar ao público geral de modo mais facilitado? E como vê a importância da teoria e da prática para a capacitação profissional do jornalista esportivo?

André Rocha – Realmente, o objetivo é este: ser o mais simples, didático e direto possível. Até para tirar essa “carga” da análise tática. A linguagem dos treinadores muitas vezes é professoral demais, específica demais.

Existe hoje uma questão dentro do meu blog, para exemplificar: eu “criei” o contexto do “4-2-3-1 torto” para analisar a formação de determinada equipe. Seria um esquema 4-2-3-1 em que a linha de três meias ficaria na diagonal: um meia mais recuado, o armador central e o jogador do lado oposto como se fosse um ponta. A exemplo da seleção brasileira de 2010, com o Elano mais próximo dos volantes, o Kaká centralizado e o Robinho mais à frente. Algo diferente do 4-3-1-2 do Boca Juniors, em que há um losango no meio.

O uso desse “torto” é mais funcional do que se eu usasse “assimétrico”. Visualmente o leitor irá perceber. E procuro evitar todos os termos que possam criar uma noção elitista, intelectual: “Eu sei e estou ensinando”. Não é isso que eu pretendo e o debate não termina no ponto final do post. Todos os comentários são respondidos e a discussão é muito aberta. Essa é minha preocupação: tirar a carga da questão tática.

O Mano Menezes sofre um pouco de preconceito em relação a isso. As pessoas acham que ele está enrolando, sendo muito tecnicista, quando ele vai explicar alguma situação.

Em relação à segunda parte, existe uma questão no Brasil que é o passado da escola de Jornalismo, criado em cima de grandes cronistas, como Nélson Rodrigues. Ele era mais interessado no drama e nos grandes personagens do jogo. Ele ainda tinha um perfil que qualquer coisa ligada a tática, estratégia, estava vinculada aos “bárbaros”, e isso ficou no imaginário popular.

No confronto recente pela semifinal da Libertadores, era o “Santos do Neymar” contra o “Corinthians tático”. Isso nunca cativou o jornalista brasileiro, que sempre se preocupou mais em contar o drama, as belezas, valorizar os craques, as individualidades, sem se atentar ao jogo coletivo. Algo natural, até.

Mas ao longo do tempo, quando o futebol internacional passou a estar mais presente nas transmissões brasileiras, aí se começou a criar um perfil de profissionais mais interessados em análises táticas, estatísticas, e na busca de um diferencial.

Dessa escola, destacamos o PVC, o Mauro Beting, e alguns outros. Mas mesmo assim eles são vistos com preconceito por algumas pessoas – imagem que está sendo quebrada aos poucos.

No próprio livro “Jornalismo Esportivo”, o PVC cita a diferença de tratamento em relação a Garrincha e Pelé, nos títulos mundiais de 1958 e 1962, e a Romário e Ronaldo, em 1998 e 2002. Os dois primeiros são vistos como heróis, e o dois últimos, de um modo mais crítico, analítico, com menos passionalidade.

O Dia da Independência Corintiana

 


Universidade do Futebol – As análises gerais de jogos de futebol realizadas pela mídia reforçam a tese de que olhamos apenas para a parte, sem compreender o todo e a complexidade da integração entre todos os fatores do desempenho esportivo?

André Rocha – Sim, porque o analista muitas vezes não se preparou voluntariamente. Ele chega no jogo e vai comentar sobre o que chamou a atenção dele: quem jogou bem, quem jogou mal, etc.

O Adriano, do Santos, por exemplo, só vai aparecer de forma positiva quando ele marcar o Martinuccio, do Peñarol, na final da Libertadores do ano passado. Ele foi útil em outros jogos, assim como o Arouca, como o Elano, etc. Mas sem o devido valor.

Na semifinal da Copa do Brasil deste ano entre São Paulo e Coritiba, não vi ninguém comentando sobre uma prática comum dos treinadores e que se reproduzia em campo: a marcação individual do setor. Esse tipo de coisa acaba passando batido.

Era algo que eu via de forma clara, mas não era avaliado durante as transmissões. Muito por que não interessa para o comentarista abordar esse tipo de temática.

Isso, claro, envolve outras questões, também: audiência, tempo da TV, preocupação em minimizar alguns tipos de debate para o grande público, etc. A abordagem técnica e tática muitas vezes fica restrita por esse aspecto comercial.

“A tragédia do Sarriá”, em livro e post

 

 

Universidade do Futebol – O Sócrates costumava dizer que se as pessoas acharem que o futebol é “aquele da TV”, o mesmo iria paulatinamente acabar. Você concorda com esta opinião?

André Rocha – Hoje em dia, a tecnologia permite que a gente observe muita coisa. O que tem de dificuldade no Brasil é o enquadramento que é feito nas nossas transmissões. E aí o Sócrates está certo. Aqui, a imagem não é ampliada e não vemos o maior número de jogadores possível. Na Europa, o privilégio é outro, e a observação do conjunto é valorizada.

Isso é muito reflexo do hábito brasileiro de individualizar as ações: é o time do Neymar, o time do Lucas. A câmera fecha em cima do cara da bola, e a movimentação dos demais é subjugada.

No Brasil, não dá para trocar a observação de um jogo no campo por um da TV. Mas ele quis pegar no pé um pouco também é da geração videogame, que observa o jogo sob outro prisma, sem considerar todas as nuances que percebemos em campo.

O próprio Paulo Calçade comenta com muita propriedade que existe o jogo do campo e o jogo da TV. Nossa análise é feita cinco minutos sobre a parte técnica, tática, e 20 minutos sobre a arbitragem.

Isso tem a ver com a complexidade do jogo. É isso que faz o futebol mais apaixonante. É óbvio, também, que a arbitragem tem de ser a mais justa possível, e o investimento em tecnologia é necessário. Mas o futebol é muito maior do que saber se a bola entrou ou não.

 


“Como Ensinar Futebol”: faça agora mesmo o curso online da Universidade do Futebol; a primeira aula é gratuita

 

 

Universidade do Futebol – O Calçade, citado por você, tem uma tese de que o jogo está muito vertical por causa do videogame, ambiente de aprendizagem inclusive para os atletas. “Os garotos costumam pegar a bola e reproduzir no campo aquilo que fazem no jogo virtual”. Você enxerga da mesma maneira?

André Rocha – Nossa sociedade sempre foi individualista. Quando eu jogava futebol na rua, também era assim. O garoto vai querer decidir sozinho, porque isso é próprio do jogador brasileiro. A jogada coletiva só é valorizada quando o craque a inicia e serve seu companheiro.

Ninguém lembra, nos gols do Neymar, de uma parede do Borges, ou de um suporte do Arouca, etc. É algo cultural. Mas essa questão do videogame, colocada pelo Calçade, é precisa: o garoto é seduzido por aquele macete, de fazer uma jogada diferente, de dar uma bicicleta, fazer uma embaixadinha, uma pedalada, etc.

O Mano, junto com o Ney franco e os clubes, gostaria de mudar isso. Lá fora, a marcação está tão bem preparada, bem feita, que não há muitos espaços. Tanto que o Neymar está sendo realocado para uma posição mais centralizada, com a capacidade de distribuir a bola e jogar coletivamente. Ele tem de marcar e atacar. É assim que ocorre com o Messi no Barcelona.

A reação será em cadeia: os times também precisam ser mais táticos, para se adequar a esta realidade. Quem vai trabalhar com o jornalismo esportivo não precisa ser um especialista, mas também deve entender esse processo.
 

 


Entrevista: Paulo Calçade, jornalista e professor

 

 

Universidade do Futebol – Em sua opinião, qual é a importância do treinador brasileiro receber uma formação especializada para exercer sua funções no futebol?

André Rocha – A base é que irá formar o jogador, e dificilmente o treinador conseguirá corrigir os problemas no ambiente profissional.

No Brasil, e isso está começando a mudar, entregava-se esse departamento de formação ao ex-jogador. Um erro. Sem formação, apenas pelo fato de “ter estado lá”, não adianta. Uma coisa é executar. Outra é saber executar.

No jornalismo, ex-jogador comentando não é uma garantia de que ele sabe exatamente sobre todas as situações envolvendo o jogo. O mesmo vale para o treinador.

Ninguém consegue formar um atleta, e muito menos uma equipe, sem conhecimento, sem base acadêmica, sem um curso qualificado. Isso vale não só para se formar treinadores, como também gestores técnicos, coordenadores, jornalistas, etc.

Aquele que administra tem uma forma de absorver o legado de dívida do clube. Com um trabalho integrado, baseado em formação e informação, a coisa caminha. Mas ainda capengamos nisso.

O Santos, quando foi jogar o Mundial contra o Barcelona, passou por uma situação constrangedora. Talvez o único time no país que não iria sofrer tanto contra o Barcelona seria o Corinthians. Por quê? Porque o Tite tem esse jeito, essa formação, esse entendimento mais complexo.

E gente como ele, como o Mano Menezes, etc., em quem você percebe um preparo especial, diferente, deve conduzir o desenvolvimento desse processo no Brasil.

Os treinadores hoje são responsabilizados por tudo. Ao mesmo tempo em que se fala que eles estão defasados, etc., se cobra muito deles. É uma multidisciplinaridade das funções: ele tem de ser técnico, gestor, psicólogo, assessor de imprensa, etc.

Para assumir um cargo deste tipo, em um grande clube, ele tem de estar preparado.


"Ninguém consegue formar um atleta, e muito menos uma equipe, sem conhecimento, sem base acadêmica, sem um curso qualificado. Isso vale para todos", avalia André Rocha

 

Universidade do Futebol – Você acredita que os treinadores europeus ou que trabalham na comunidade européia são mais bem preparados que os treinadores brasileiros?

André Rocha – Sem dúvidas. Justamente por conta disso que comentei anteriormente. Eles tiveram formação, cursos consistentes, etc.

Hoje se valoriza o trabalho tático da equipe do Corinthians. E o Tite muitas vezes já falou sobre o tempo que ele passou na Europa para aprender sobre marcação, as duas linhas de quatro, a compactação dos setores, etc.

O Corinthians é um dos poucos times que conseguem jogar em 30 metros. Os outros atuam espaçados, com a zaga muito próxima dos zagueiros, e os dois volantes muito próximos deste setor, com os meias lá na frente e um grande buraco.

O Barcelona deitou e rolou em cima do Santos neste espaço. Neymar, Borges e Ganso mal pegaram na bola. Aquela situação deveria ser muito mais pensada. Depois daquele jogo, deveria haver um seminário para entender o que aconteceu ali.

 

 

Santos FC vs FC Barcelona: choque de realidade

 

 

Mas se preferiu dizer que “o Santos teve medo do Barcelona”, “ninguém bateu no Messi”, etc.

É aí que falta a formação geral. O Brasil tem de sair da parte do talento, do folclore, e partir para o profissionalismo. Nossa economia é forte, crescemos, somos referências em diversos outros setores, aprendemos muito, mas no futebol demonstramos resistência. Nos consideramos detentores do talento – e até com certa razão.

Muitos dos avanços do futebol mundial tiveram o Brasil como pioneiro. Fomos os primeiros a jogar no 4-3-3, com o recuo do Zagallo; a linha de quatro na defesa foi desenvolvida primeiro aqui; o 4-5-1 nasceu com o Flamengo de 1981. A seleção de 1970 trouxe inovações táticas, com a plantação de um lateral e a liberdade a outro, etc.

Mas tudo mais na base da criatividade. A escola brasileira se baseia nas compensações táticas para privilegiar o talento. É o jogador que marca para que o outro apareça e decida. Isso hoje é o que tem de morrer. Todos têm que marcar e jogar. A qualidade técnica é fundamental. Mas temos de ter a humildade de querer aprender.

Exemplo da seleção brasileira de Dunga, no 4-2-3-1 "torto"; na final da Copa do Brasil, equipes se comportaram de modo semelhante

 

 

Universidade do Futebol – Qual sua avaliação sobre a edição de 2012 da Eurocopa? Houve alguma mudança em termos táticos, em uma comparação à última Copa do Mundo, por exemplo?

André Rocha – Os jogos foram mais interessantes do que na Copa do Mundo e eu percebi as seleções menos esgotadas do que no período da África do Sul. Trata-se de uma competição de tiro curto, e então as seleções devem chegar jogando tudo, pois não há possibilidade de recuperação.

Em termos técnicos e táticos, havia as seleções mais poderosas. Espanha, Alemanha, um pouco da França e a Holanda, que acabou sendo decepcionando, além de Portugal após a explosão do Cristiano Ronaldo. Havia as favoritas e as que jogaram de acordo com as favoritas.

A própria Itália atuou de modo mais defensivo contra a Espanha, assim como a Croácia e a Irlanda. A França desvirtuou completamente suas características diante da Fúria.

É óbvio que o talento sempre vai fazer a diferença. Cristiano não conseguia render não porque ele “amarela”, mas porque ele está mais presente em seu clube, em uma estrutura mais conhecida. Não há tempo para treinar, para se adequar a uma lógica de jogo, etc.

O treinador luso Paulo bento, então, buscou armar uma proposta para que o Ronaldo não ficasse preso apenas do lado esquerdo. E ele passou a circular e a funcionar mais ao time.

Todos os times jogaram com meias abertos ou pontas: ou no 4-3-3, ou no 4-2-3-1, ou no 4-1-4-1 – modo como a Itália impôs dificuldades, com quatro jogadores no setor de meio-campo, em formato de losango: Pirlo, Marchisio, De Rossi e Thiago Motta.

Os meias europeus marcam, mas os times estão acostumados a jogar contra adversários cujo volante se limita a desarmar, e não armar, apesar do bom passe. Na Itália, o armador, no caso, o Pirlo, vinha de trás. E isso causou problemas a todos que a enfrentavam.

Tem o “Trequartista”, e o “Regista”, que é o Pirlo, um dos responsáveis por conduzir a Itália mais longe do que se esperava, ainda mais por conta dos problemas externos vividos (manipulação de resultados).

Itália finalista: muito além da tradição e do “contropiede”

 


Universidade do Futebol –
Os sites da Uefa e da Fifa fornecem muitas informações online durantes as grandes competições internacionais. Como você manipula os dados estatísticos para compor uma análise e preparar seu texto?

André Rocha – Eu procuro sempre fazer com que estes números estejam a serviço da minha análise, mas nunca condicionando a análise àqueles dados. Posso achar que a Espanha jogou mal e que errou passes importantes contra a França, mesmo que as estatísticas tenham dito que isso não aconteceu. Ela maquia um pouco as situações.

Um exemplo: o Cristiano Ronaldo fez uma jogada espetacular e serviu o Nani, que perdeu um gol contra a Holanda. Aquilo deixou de ser assistência e vira um passe, como foi um na região central, do Miguel Veloso para o Fábio Coentrão. Entende?

Acho que deveria existir a assistência e o passe para gol, mesmo que ele não saia. Ou a tese fica furada.

A Espanha toca muito e evita o passo profundo. Mas situações-chave não podem ser quantificadas da mesma maneira. Quando o Xavi pega a bola e lança para o Iniesta, nas costas do marcador adversário, após uma longa troca de passes, mas a bola vai para fora, isso tem um valor muito grande. Porque ambos pouco erram quando dialogam entre si no campo de jogo.

Qual foi a vez que você viu eles errarem um passe um para o outro? Isso tem peso quando ocorre. Para o adversário, para quem está vendo, para o próprio jogador, mas não existe uma forma de quantificar.

Essa informação sempre serve de amparo. Mas nada substitui a análise do jogo visual, do todo, para captar os detalhes de cada um dos times.




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Tags: jornalismo esportivo , universidade do futebol , biomecânica , desenvolvimento , Desempenho Esportivo , Setor Técnico , barcelona , Filosofia , ciência , Evoluçao tática , eurocopa , comunicaçao

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