Colunas
11/12/2008
O fenômeno cultural chamado "Futebol" - uma proposta de estudo
"... É preciso ter o Futebol no sangue, e a gente, neste momento, não dúvida de que qualquer laboratório detectaria a presença do Futebol no sangue de cada brasileiro..."
  "... É preciso ter o Futebol no sangue, e a gente, neste momento, não dúvida de que qualquer laboratório detectaria a presença do Futebol no sangue de cada brasileiro, numa mistura balanceada com glóbulos brancos e vermelhos...". (Mino Carta editorial da Revista Isto É, n° 212 - jan/81).
 
Qual é a estação de rádio, o canal de televisão, o jornal de circulação diária que não reserva em sua programação, um bom espaço para o noticiário esportivo? Atletismo, Basquetebol, Vôlei, Natação, Fórmula 1, Jogos Pan Americanos, Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, são alvo das atenções de milhões de seres humanos, dispersos por todo esse nosso planeta. Em dias de jogo, um rápido lançar de olhos nos boletins informativos de todas as partes do mundo, nos farão perceber quão grande é o contingente da população mundial mobilizada a lotar as praças esportivas.
Já é comum em nosso meio, de alguns anos para cá, se perceber a utilização de atletas famosos - campeões, ídolos das multidões - na publicidade de produtos das mais distintas naturezas. A Indústria Esportiva há tão pouco tempo atrás quase inexistente em nosso país, hoje corrobora na definição dos nossos costumes, estabelecendo modismos tais como o jogging, por exemplo. Campanhas como "Mexa-se", "Pratique esporte", "Correr faz bem à saúde" buscam a todo custo condicionar a utilização do tempo livre do homem moderno à prática de atividades físicas de lazer.

Dentre os vários esportes atualmente em voga, é o Futebol aquele que mais capacidade mobilizadora demonstrou possuir. Tido por alguns como parte integrante da Cultura Brasileira (?) é o Futebol aquela modalidade esportiva que, extrapolando a sua condição de mera prática esportiva, apresenta-se como fenômeno cultural de quase todas as sociedades contemporâneas. Mas é, de fato, no Brasil, que ele, Futebol, melhor se identificou com aquilo que se convencionou chamar de Alma Nacional, a ponto de Nelson Rodrigues, em um de seus repentes, apelidar o Brasil de Pátria de Chuteiras, ou extrair do então Ministro da Educação Ney Braga, a afirmação de ver nele, Futebol, a "Alma do Povo brasileiro".

Mas, enfim, que segredo é esse do Futebol que faz com que 130 milhões de brasileiros - uns vítimas da seca do nordeste, outros das enchentes do sul, a maioria vítima de um sistema que deles suga toda a vontade de resistir - de repente, como que tocados por uma varinha mágica, por um feitiço coletivo, permanecem durante noventa minutos presos à magia de 22 homens (ou deuses?) dentro de um campo?

Que encantamento é esse do Futebol que faz surgir de todas as esquinas deste país, das palafitas cobertas de folhas de babaçu às suntuosas residências dos coronéis, a mesma emoção, o mesmo sofrimento, a mesma alegria contagiante no instante do gol, como que se aquele momento supremo do jogo de bola fosse capaz de anular as diferenças sociais? Que mistério é esse do Futebol que faz surgir do orçamento deficitário do povo uma inesperada reserva para o seu deslocamento até os grandes Estádios - às vezes maiores até do que a própria população da localidade[3] - para a compra de rojões, panos e tinta para as faixas visando a saudação de seus ídolos e para a leitura de toda a gama de jornais e revistas, especializadas ou não, pois todas se reportam a ele, Futebol? Que fenômeno é esse do Futebol capaz de viabilizar a união de todos em torno de um ideal comum - como por ocasião dos Campeonatos mundiais - aproximando os extremos e congraçando todas as correntes de pensamento, união esta por demais tentada e pouca vezes alcançada em outros momentos da vida nacional, capaz até de paralisar o país, como o ocorrido com o longo feriado proporcionado pela realização - e nossa participação - da Copa do Mundo da Espanha, acarretando um prejuízo calculado sobre a quantidade de horas de trabalho perdidas, de 600 bilhões de cruzeiros, na época quase 5% da nossa então já monumental dívida externa? [4]

Serão as respostas a essas perguntas a demonstração de estar no Futebol uma espécie de reafirmação do espírito brasileiro, da sublimação dos seus problemas, da sua capacidade de luta e de seu desejo de marcar a sua posição no cenário internacional? Será ele, Futebol, um exemplo vivo daquilo que chamam Cultura Nacional? Quais serão seus verdadeiros valores? O que faz despertar tantas paixões?
Qual a razão de sua tamanha identificação com o brasileiro?

Nosso intuito através deste trabalho, não é o de responder a todos esses questionamentos ou a outros tantos que certamente poderiam vir a serem feitos, mas sim estabelecermos uma proposta de estudo que venha a viabilizar o alcance das respostas pretendidas, ao mesmo tempo em que, ao fazermos referências aos trabalhos que abordam o assunto em pauta - aqueles de nosso conhecimento - estabelecermos um esboço de levantamento bibliográfico de maneira a vir facilitar o esforço daqueles que - e aí nos incluímos - porventura venham a ter interesse em analisar o assunto de forma mais profunda.

Com exceção de alguns Brazilianists, como por exemplo, Robert Levine, para quem o Futebol vem despertando a curiosidade a ponto de fazê-lo dedicar-se ao trabalho de coordenação de uma obra de 5 volumes intitulada A História do Futebol Brasileiro[5], é notícia a quase que ausência de estudos sobre o fenômeno esportivo - notadamente o Futebol - no Brasil, constatação essa que levou José Carlos Rodrigues a afirmar que

"Se as ideologias falam por seus silêncios, o mutismo das ciências sociais brasileiras em torno de aspectos ideológicos do futebol salta aos nossos olhos. É tão sensível a importância atribuída a este esporte nos cotidianos brasileiros que um forte contraste se estabelece, de imediato, entre esta e o descaso a que se tem relegado os nossos cientistas sociais. Neste sentido, não seria exagerado dizer que pesquisar a ausência do futebol entre os nossos temas sociológicos, seria por si só, um assunto bastante revelador no campo da sociologia, da ciência e das relações entre o saber e o Poder no Brasil". [6]

Também Joel Rufino dos Santos, em seu livro A História Política do Futebol Brasileiro, reporta-se à escassez de análises históricas acerca do Futebol. A certa altura de sua obra, assim se expressa:

 

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br


 "... Nelson Rodrigues escreveu, com razão, que não há um só personagem da nossa literatura que saiba bater um mísero córner. Os estrangeiros se surpreendem que no "país do futebol" não se haja escrito uma única história do futebol...". [7]

E mais à frente, conclui:


"... A verdadeira ciência social, entretanto, é a que responde às indagações coletivas; para ela não há temas nobres ou cafonas - e suponho que para entender um pouco a nossa sociedade chegou a hora de fazermos a história do seu futebol, da sua música popular, etc, ao passo que se inicia a revisão da história convencional, aquela em que se movem, exclusivamente, as classes privilegiadas". [8]

À ausência de pesquisas sobre o assunto, contrapõem-se a importância dada ao tema expressa, por exemplo, nessa afirmação de J. S. Witter, do Departamento de História da Universidade de São Paulo, para quem "estudar o esporte brasileiro, em especial o futebol, é estudar de fato, o povo brasileiro". [9]

Flávio Costa, conhecido técnico de futebol, também o entende como sendo "o fator da mais alta envergadura em matéria de congregação de interesses das massas populares, aglutinando em torno deste interesse, milhões de brasileiros de todas as classes e de todos os recantos do país".

Estudar esse fenômeno cultural chamado Futebol, é trabalho árduo, porém certamente gratificante, pelo que de "popular" nele se encontra inserido. "Abrangente, irracional, frenética, absurda, feita de cores e lágrimas, esperanças e decepções, a paixão (ou fanatismo) pelo futebol compõe, sem sombra de dúvidas, ao lado do carnaval, um dos foliões mais férteis da matéria cultural brasileira". [10] É assim que José Wolf se introduz no estudo das formas pelas quais o cinema brasileiro vem buscando captar sua (dele, futebol) história. Nesse artigo, retrata, em determinado momento, o espanto do crítico e cineasta Alex Viany, pela ausência de filmes sobre o futebol. Assim observa o cineasta, surpreso:

 "... Parece-me inadmissível que, num país de futebol, onde cada vilarejo prepara o campo da pelada antes mesmo de erguer a escola ou a igreja, fiquemos ainda muito tempo sem tradição do filme desportivo, tão inevitável, a meu ver, quanto à chanchada ou filme de cangaço". [11]

Inúmeras são as formas de abordagem do tema Futebol, nele buscando identificar características próprias ao brasileiro. A molecagem, por exemplo. A manha, a catimba, a cera - razões para alguns, da própria sobrevivência do Malandro, quem sabe o protótipo do brasileiro, a quem, disse Chico Buarque de Holanda em seu samba "Partido Alto", "Deus deu perna comprida e muita malícia, pra correr atrás de bola e fugir da polícia" -, existiria terreno melhor para que tais virtudes se irradiassem do que no futebol?         

Foi Nelson Rodrigues quem melhor soube focalizar o momento real de identificação do Futebol com o brasileiro. Encontrou-o através de um de seus atletas (artistas para ele), porta voz de um aspecto marcante do caráter brasileiro: ela, a molecagem. Focalizou-a em artigo por ele publicado em razão da conquista pelo Brasil - pela 2ª vez consecutiva - do título mundial, na figura de Garrincha, a Alegria do Povo, por ocasião do jogo decisivo com a Tcheco-Eslováquia:

 "... Se aparecesse, na hora, um grande poeta, havia de se arremessar, gritando: - "o homem só é verdadeiramente homem quando brincar". Num simples lance isolado, está todo o Garrincha, está todo o brasileiro, está todo o Brasil. E jamais Garrincha foi tão Garrincha, ou tão homem, como ao imobilizar, pela magia pessoal, os onze latagões Tchecos, tão mais sólidos, tão mais belos, tão mais louros do que os nossos. Mas vejam vocês: de repente, o Mané põe, num jogo de alto patético, um traço decisivo do caráter brasileiro: a Molecagem" .[12]

Foi também aludindo à molecagem, livre, inesperada, alegre e criativa, da qual os brasileiros são exímios conhecedores e Mané Garrincha seu mais digno representante, que Carlos Drummond de Andrade, assim se referiu por ocasião de sua morte: "O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível".

Seria a Molecagem, expressão da arte popular e o futebol, através dela, o palco que melhor possibilita a encenação da tragédia popular? Como se deu, de fato, a passagem do futebol, outrora aristocrático e nascido com a incumbência de preencher o tempo livre dos burgueses, para o domínio das Classes populares? Joel Rufino dos Santos, em obra já citada, associa a passagem do futebol burguês para o futebol esporte popular, de massa, às transformações que se deram no país por ocasião da revolução de 30, que mesmo sendo, na verdade, muito mais uma acomodação de camadas do que propriamente um terremoto, segundo ainda seu expressar, veio a operar a transição para uma sociedade de base urbano-industrial, vindo a constituir nos anos 30, em uma importante etapa na definição dos rumos do capitalismo industrial no país, no lançamento das bases de um novo modelo, que se desenvolveu plenamente já nos anos 50. Diz ele:

"... a mudança não veio, está claro, de sopetão. Primeiro, a massa espiava por cima do muro: organizou, em seguida, seus próprios times, ao mesmo tempo em que fornecia mão-de-obra aos clubes grã-finos. Na década de 30, o que vinha evoluindo se tornou esporte popular, de massa...". [13]

Parece-nos claro que mesmo aqueles que não reconhecem no Futebol, razões suficientes para se deterem a estudá-lo, não podem argumentar contrariamente ao seu poder de mobilização. No entanto, há aqueles que acreditam ser tal capacidade, extrínseca ao fenômeno futebolístico. Segundo essa corrente de opinião, tal força não passaria de uma conspiração das Classes dominantes, que estaria voltada à supervalorização do futebol para fazer com que, em momentos de crises de natureza econômica e/ou política, ficassem tais problemas relegados a um segundo plano pela sociedade civil. Tal tese nos leva a perguntar, dentre outras coisas, da razão dessa tentativa de manipulação recair - dentre outras modalidades esportivas praticadas pelos diversos segmentos de nossa sociedade - precisamente sobre o futebol. A nosso ver, acreditamos, tal como Ricardo Benzaquen de Araújo, em seu artigo Força Estranha, que

"as propostas que visam à utilização ideológica do futebol, como, por exemplo, ocorreu na copa do mundo de 1970, são elaboradas exatamente porque a popularidade deste, independe, no fundamental, de todo apoio ou patrocínio estatal".[14]

Se assim entendermos, concluiremos que, segundo ainda o referido autor,

"as tentativas de manipulação do futebol, feitas pelo Estado ou qualquer outra entidade política, aparecem como conseqüência da sua própria importância e não como fonte de seu prestígio" .[15]

Ainda nesse particular, o jornalista esportivo e ex-técnico da Seleção Brasileira do Tri, João Saldanha, em entrevista concedida aos Cadernos do Terceiro Mundo[16], procura desmistificar a visão fatalista de que a manipulação do esporte mais popular do Brasil alcança reais e únicos efeitos. Nesse sentido ainda, lembramos de artigo de nossa autoria publicado pelo mesmo Cadernos do Terceiro Mundo no qual reportávamos ao comportamento do público que lotava as dependências do Castelão, em São Luis, Maranhão, por ocasião do jogo que o inaugurava, Brasil X Portugal[17], comportamento esse que ratifica a tese segundo a qual o povo aproveita a festa sem perder de vista o drama do cotidiano. Paulo Francis vai mais longe ao afirmar que de fato, "o futebol é uma das raras chances de mobilidade social que a sociedade brasileira oferece ao que apelidaram eufemisticamente de classes menos favorecidas". [18]

Talvez esteja aí o porquê do fato de receber a experiência - ainda recente, porém já digna de respeito - do Sport Club Corinthians Paulista, a qual se convencionou chamar de Democracia Corinthiana, ataques por parte de setores da imprensa esportiva e de certos dirigentes esportivos que nela vislumbram um nível se organização que redundaria, sem sombra de dúvida, no fim do poder dos cartolas e dos Homens do esporte da imprensa. [19]

Em estudo publicado na revista Veja, abordando o fenômeno do corinthianismo, o autor desenvolve uma comparação entre o comportamento da torcida corinthiana com a de clubes ingleses e italianos, buscando nelas identificar traços de semelhanças que desqualificam, conforme o autor, qualquer tentativa de argumentação daqueles que "apresentam o futebol como mera alienação das massas, pois não consta que os trabalhadores ingleses e italianos não saibam organizarem-se politicamente, muito embora se dediquem ao futebol com a mesma paixão do brasileiro". E conclui o autor: "Portanto, as raízes da desorganização política das massas brasileiras devem ser procuradas em outros campos que não os gramados de Futebol". [20]

Admitindo-se a hipótese de que o motivo da popularidade do Futebol seja um valor que lhe é inerente, nos cumpre analisar, mencionando aqui Ricardo Benzaquen de Araújo, as "razões que criam o verdadeiro fascínio provocado pelo futebol em nossa sociedade". Segundo o autor de Força Estranha,

 "A busca de um melhor entendimento da popularidade do futebol, entre nós, implica em definir o mundo do futebol como um contexto no qual predominam valores democráticos marcados por idéias de liberdade e igualdade". [21]

Segundo José Carlos Rodrigues,

"De um modo geral na sociedade, os jogos correspondem a situações em que, partindo-se de uma igualdade formal absoluta entre os contendores pretende-se, ao final, produzir diferenças relativas entre elas. No caso específico do futebol, observamos que a partir das mesmas regras para as duas equipes, do mesmo campo de competição (dividido em duas metades rigorosamente idênticas em seus mapeamentos), do mesmo tempo disponível para a execução das jogadas (dividido em dois períodos exatamente iguais em que, em cada metade do tempo, uma equipe ocupa uma metade do espaço - o que faz com que as eventuais diferenças sejam iguais para ambas as equipes); a partir de um juiz (neutro por definição), de dois juízes auxiliares simetricamente dispostos e que não mudam de posição quando as equipes trocam as metades de campo que utilizaram na primeira metade do tempo (o que faz com que haja igualdade quanto ao acompanhamento que estes 'fiscais' fazem das equipes - se um deles, por exemplo, é mais atento que o outro, será mais atento contra ou a favor de ambas as equipes igualmente, no tempo); a partir do mesmo número de jogadores por equipe, podendo-se fazer o mesmo número de substituições e utilizar os mesmos apetrechos de jogo (chuteiras, camisas, etc.); a partir de todos os fatores aleatórios, como por exemplo, quem deve dar a partida do jogo, quem deve enfrentar a luz do sol diretamente, etc, serem decididos por sorteio - produz-se finalmente, uma diferença entre vencedores e derrotados. Em suma, o futebol é um sistema de igualdades iniciais destinado a se transformar (salvo no caso de empate, em que se mantém a igualdade) em um sistema de diferenças, de acordo com o mérito ou sorte dos competidores" .[22]
 
Desta forma, o esporte em geral e o Futebol em particular, por estarem fundamentados em princípios como a competição e a performance, por valorizarem o talento e através dele fomentarem o individualismo em suas práticas (dadas as características de natural, congênito e intransferível do talento) e reforçarem a dimensão democrática (dada as mesmas características acima mencionadas, que podem vir a serem encontradas em indivíduos das diferentes classes sociais, indiscriminadamente), mantêm e reproduzem princípios presentes na doutrina liberal, veiculando dessa forma, padrões de comportamento liberal. É esse o pensamento de José Rodrigues quando diz que

"Se as coisas são realmente assim, somos tentados a ver o futebol como um terreno propício a representar as relações existentes em uma sociedade competitiva e a legitimar as desigualdades sociais resultantes. Podemos encarar o futebol como uma espécie de linguagem ritual, ou seja, de uma metalinguagem, que diz: as oportunidades iniciais são as mesmas para todos, há igualdade de oportunidades; todos são submetidos às mesmas regras; não obstante, em função de seus méritos, em decorrência de fatores aleatórios, uns serão vencedores e outros, perdedores. Todavia, assim como no futebol, na sociedade as derrotas são precárias, pois é sempre possível "levantar a cabeça e sair para outra". A própria forma da bola - igual qualquer que seja o ponto de onde se a observe - é já um indicador dessa vocação "democrática" dos jogos de bola. Compreendemos então, que existe no futebol, e nos jogos desse tipo, uma dimensão política que talvez responda por sua larga aceitação nas competitivas sociedades industriais: nos interstícios da linguagem futebolística, poderemos encontrar, expressas de maneiras conotativas, mensagens sobre igualdade e desigualdade sociais. Ele é, simultaneamente, uma metalinguagem e um sistema conotador".[23]
        
Futebol
-arte, Futebol-espetáculo, Futebol paixão popular, Futebol ópio do povo, instrumento de alienação. Futebol instrumento de mobilização e organização das classes populares. Futebol e democracia...

Ao deixarmos claro nosso posicionamento no concernente à importância de estudos mais profundos sobre o Futebol, entendendo-o como fenômeno cultural, quisemos evidenciar a existência de um desafio. Desafio para os que pesquisam. Desafio para aqueles que vêem no registro da história de nosso Futebol uma exigência de resgate e sobrevivência do patrimônio cultural popular.
(Deputado Federal da Comissão Permanente de Esportes e Turismo da Câmara Federal - Depoimento prestado à Folha de São Paulo em 22/9/83)
 
ou
 
Brasil está vazio
Na tarde de domingo
É ...
Olha o sambão
Aqui é o país do Futebol...
(Fernando Brandt e Milton Nascimento)

 
BIBLIOGRAFIA

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WOLF, José - No cinema, o futebol ficou na reserva - Revista Vozes, n° 8, OUT/78, pp. 591-603.


[1] Este artigo foi elaborado em 1984 e publicado em 1985 na Revista Artus - Revista de Educação Física e Desportos - editada pela Universidade Gama Filho, v. VII, pp. 06 - 09.
[3] Em Erechim, RS, na década de 70, foi construído um Estádio para 40.000 espectadores. Naquela ocasião o município possuía 35.000 habitantes.
[4] A esse respeito, ler artigo de Mino Carta "Que tal um pouco de seriedade?", Revista Senhor, JUL/82, N° 69 págs. 16-19.
[5] Ver, a respeito, matéria publicada no jornal "O Estado de São Paulo", de 24/04/81.
 
[6] José Carlos Rodrigues, "O Rei e o Rito", Revista Comum (Publicação Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso, RJ, N° 1 JAN/MAR, 1978), p. 17.
[7] Joel Rufino dos Santos, A História do Futebol Brasileiro (São Paulo, Editora brasiliense S.ª, 1981), p.77.
[8] Joel Rufino dos Santos, op, cit., p.78.
[9] J.S. Witter, "As fontes para o estudo do Esporte no Brasil no século XX", Anais do VIII Simpósio Nacional dos professores universitários de História (São Paulo, 1976), p. 1089.
[10] José Wolf, "No Cinema, o Futebol ficou na reserva", Revista de Cultura Vozes, N° 8, OUT/1978, p.593.
[11] José Wolf, op. cit., p.591.
[12] Nelson Rodrigues, "O Escrete de Loucos", Fatos e Fotos, Edição Histórica, Junho/1962.
[13] Joel Rufino dos Santos, op, cit., p.45.
[14] Ricardo Benzaquen de Araújo, "Força Estranha", Ciência Hoje (Publicação SBPC, ano 1, n° 1, JUL/AGO./1982), p.32.
[15] Ricardo Benzaquen de Araújo, op. cit., p.32 (o grifo é nosso).
[16] José Carlos Gondim, "Futebol: Manipulação do Povo? Entrevista com João Saldanha", Cadernos do Terceiro Mundo, n° 47, JUL/AGO/82, pp. 91-96.
[17] Lino Castellani Filho. "De repente", Cadernos do Terceiro Mundo, N° 49 OUT/NOV/1982, p.4.
[18] José Wolf, op. cit., p.593.
[19] Por outro lado, a experiência ora vivenciada pelo Sport Club Corinthians Paulista, vem recebendo apoio daqueles que ser o processo de participação real e concreto ora vivido por aqueles que fazem aquela Agremiação, na condução dos assuntos de todos que lutam pela democratização da sociedade brasileira, acreditando ser Participação a exteriorização de uma vontade de se desalienar, alcançando através dela laços mais profundos de compromisso e responsabilidade.
[20] Renato Pompeu, "Uma arte feita pelo Povo", Revista Veja, OUT/77, p. 128.
[21] Ricardo Benzaquen de Araújo, op. cit., p.32.
[22] José Carlos Rodríguez, op. cit., p.22.
[23] José Carlos Rodríguez, op. cit., p.23.

*Lino Castellani Filho é Doutor em Educação, docente da Faculdade de Educação Física/Unicamp, pesquisador-líder do "Observatório do Esporte" - Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer - CNPq/Unicamp, e foi Presidente do CBCE (1999/2003) e Secretário Nacional de Desenvolvimento do Esporte e do Lazer/Ministério do Esporte (2003/06)

"Não adianta medir a importância do Futebol para o povo por dois ou três bons resultados de outros esportes. Ele continuará sendo o carro-chefe porque nenhum garoto sonha em ser Bernard. Todos querem chegar a Zico ou Pelé. O Futebol está intimamente ligado ao comportamento do brasileiro, por ser mais democrático, profundamente educativo e uma tradição cultural".

Tags: pedagogia

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