Neste terceiro texto, de um total de quatro, sobre as novas tendências em pedagogia do esporte, apresentarei seus pressupostos básicos, balizado pelo quadro esquemático apresentado na primeira crônica pedagógica sobre o referido tema (lembrando que a segunda crônica destacou os pressupostos básicos da abordagem tradicional).
As abordagens que se agrupam no que denominamos novas tendências em pedagogia do esporte, centram-se no ensino da lógica tática do jogo em detrimento dos seus movimentos particulares. Não que elas não considerem a existência de técnicas esportivas (movimentos específicos que aparecem com mais freqüência nos jogos), mas essas, ao invés de estarem evidenciadas e enfatizadas no início do processo de ensino, são alocadas para um segundo plano, pois assim se prioriza primeiramente que os alunos construam seus movimentos, a partir de particulares interpretações, que gerarão condutas motoras diversificadas, e, consequentemente, um rico acervo de possibilidades de respostas para os jogos.
Desse modo, ao invés de os alunos aprenderem movimentos específicos e estereotipados por repetição exaustiva, eles são instigados, por meio de problemas de jogo, a explorar e criar suas próprias respostas (condutas) motoras como forma devolutiva às exigências engendradas, caracterizando não a automação mais sim a humanização de seus gestos técnicos.
Os professores, a partir das novas tendências, nunca devem dar respostas prontas aos seus alunos, e muito menos instruir seus alunos/jogadores perdendo de vista o real contexto do esporte a que se propõe ensinar.
Ou seja, ensina-se a jogar um determinado esporte jogando. Se, o objetivo é ensinar a jogar basquete, por exemplo, obviamente não se partirá de filas para o desenvolvimento da bandeja, mas de sua compreensão lógica no interior do processo de organização específico gerado pelo jogo de basquete, e assim cria-se um jogo que exigirá do aluno pensar e executar um gesto similar à bandeja (caracterizando-se um gesto eficaz, que ao longo do processo de ensino – que em hipótese alguma deve ser imediatista – irá se tornar eficiente à medida que o jogador amplia o seu nível de competência interpretativa).
Assim sendo, os alunos iniciam o processo de ensino e aprendizagem com exatamente aquilo que sabem, ficando por responsabilidade do professor adequar sua aula ao nível de competência e habilidade de seus alunos. Com isso, as aulas são sempre destinadas a todos, não exigindo pré-requisitos.
Enfim, a todo o momento as abordagens que perfazem as novas tendências em pedagogia do esporte priorizam a autonomia e a tomada de consciência das ações engendradas ao longo do processo de ensino.
Alunos autônomos e possuídos de ricos acervos de possibilidades de respostas, consequentemente, desenvolverão sobremaneira suas respectivas inteligências para o jogo e, concomitantemente, para o mundo. Pois só formaremos um cidadão independente (porém consciente de sua dependência social), responsável e crítico, quando esse se entender cônscio e competente para agir, interagir e “ressignificar” a realidade em seu entorno, principalmente, em pleno século XXI.
Contudo, em próxima crônica (a última da série novas tendências em pedagogia do esporte) quero aprofundar os temas aqui destacados.
Para interagir com o autor: alcides@universidadedofutebol.com.br