Colunas
18/02/2011
A viabilidade econômica do nosso esporte
Estudo da Associação das Ligas de Futebol Profisional da Europa revela distribuição da renda das competições

Caros amigos da Universidade do Futebol,

mesmo quando falamos de futebol, o esporte mais popular do nosso planeta e recordista em números de patrocínio e direitos de imagem, o assunto da viabilidade financeira do esporte sempre deverá ser levado em consideração.

Sabemos que o poderio dos clubes obedece uma ordem piramidal, sendo que pouquíssimos deles detêm um grande poder financeiro, e a grande maioria sofre diariamente para pagar suas contas ao fim do mês.

Sabemos que o futebol (e o esporte em geral) é um negócio em que os grandes clubes, para manterem o seu status e a sua força, necessitam da existência dos demais clubes. A competição é a alma desse negócio. Aqui o monopólio é um verdadeiro desastre.

Assim, a distribuição de renda entre os clubes em uma mesma liga, competição, copa ou campeonato é um tema estratégico. Os mais poderosos devem receber mais (isso dificilmente será algum dia alterado), mas os menores devem receber uma quantia justa, para ajudá-los a sobreviver e a manter o equilíbrio competitivo (competitive balance).

Na coluna desta semana, gostaria de chamar a atenção dos nossos leitors para um estudo que acaba de ser publicado pela EPFL - Associação das Ligas de Futebol Profisional da Europa. Esse estudo, denominado Financial Solidarity at Leagues and European Level, mostra em cada país europeu afiliado à EPFL como se dá a distribuição da renda das ligas pelos clubes participantes.

Interessante notar que há uma grande variedade de formatos, que envolvem parcelas fixas aos clubes, e parcelas variáveis que são atreladas ao critério técnico (mérito desportivo) e potencial comercial dos clubes.

Assim, cada liga procura estabelecer uma distribuição justa, de modo que favoreça quem mais contribui para a arrecadação, mas, com uma garantia da parcela fixa a todos os clubes, também consegue ajudar as agremiações de menor expressão.

O estudo também indica a forma de distribuição de campeonatos europeus, como a Liga dos Campeões, em que os variáveis são bastante relevantes, podendo um grande clube que fora desclassificado no início da competição, receber um valor maior do que o clube campeão, caso este último seja um  pequeno.

Dentre as diversas distinções entre as ligas, um critério é quase uma unanimidade, conforme refletido no estudo: quase que a totalidade das ligas nos dias de hoje vendem coletivamente os seus direitos televisivos.

Enfim, vale a pena analisar o estudo com atenção, para eventualmente servir de lição para os nossos campeonatos nacionais. Em prol da viabilidade econômica do nosso esporte.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br


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