Eu nunca tinha parado pra pensar muito no assunto, mas, esses dias, me deu um estalo. A hipótese veio de repente, e toda vez que a coloquei a prova, "batata".
"Batata", claro, no sentido de que obviamente era aquilo mesmo, seja lá por que diabos alguém determinou que "batata" é um termo adequado para indicar isso.
A lógica é simples: se a ideia defendida aqui tantas vezes é que futebol gera muito, mas muito mais exposição que dinheiro, é natural, portanto, que as decisões tomadas sejam movidas mais por essa exposição do que propriamente por dinheiro.
Isso implica que uma significativa parte dos tomadores de decisão não é influenciada pela racionalidade de suas ações, mas sim pela aceitação ou rejeição que ela poderá gerar. Ou seja, em um caso claro, quando um diretor contrata um atleta, muitas vezes ele não está tão preocupado o quanto de fato esse atleta pode render em campo ou em grana pro clube, mas sim, o quanto a contratação terá sido aprovada ou não pelos conselheiros, imprensa e torcida. O que é natural, uma vez que sua motivação parte de razões focadas na repercussão e, principalmente, na aprovação. Como sua ação gerará um impacto político maior que o financeiro, compreende-se a postura.
Essa peculiaridade, entretanto, se estende além da parte futebolística. Na verdade, eu até acho que ela é mais presente quando o assunto não é o futebol. Como as comissões técnicas são bem estruturadas, treinadas e tudo mais, a racionalidade consegue ter uma voz mais impactante. O problema, eu acho, é maior na área administrativa.
É muito, muito comum que ações administrativas de clubes de futebol, principalmente aquelas atreladas ao mercado, já que repercutem mais, tenham um cunho expositivo maior do que propriamente financeiro. Quando uma ação é planejada e delineada, é normal que a sua avaliação de sucesso seja feita baseada em uma percepção geral de aceitação, e não necessariamente no retorno concreto da própria. Quando um clube lança uma camisa, num exemplo mais banal, a tendência é que a avaliação sobre o impacto do novo produto seja mais baseada nos elogios ou críticas que ela recebe da imprensa ou da torcida do que propriamente na sua saída de mercado. O sucesso é depende desse elogio e não necessariamente no retorno financeiro.
Outro exemplo é alguma campanha institucional que o clube faça. Se ela for parabenizada por pessoas próximas, pela imprensa e por alguns torcedores, a tendência é que o clube se dê por satisfeito com os resultados, mesmo que ela não traga nada de adicional ou então que sequer pague os seus custos operacionais.
Não é errado dar valor ao feedback sobre qualquer ação, muito pelo contrário. Porém, restringir as avaliações somente a isso é problemático, principalmente porque a opinião é geralmente proveniente sempre do mesmo grupo de indivíduos, que irá continuar interagindo com o clube seja o feedback positivo ou não. O grupo maior de pessoas, aquelas que não interagem com o clube naturalmente, fica esquecido. O que, no fim das contas, colabora para que a exposição do futebol continue muito, mas muito maior do que a quantia de dinheiro envolvida nele.
Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br