Colunas
11/03/2010
Soltinho e gostoso
O problema é que o time expôs a marca de um programa concorrente da Globo, assim como o Vasco fez na João Havelange, o que motivou o Estatuto do Torcedor

Você já ouviu falar do Periquito, ‘o macarrão soltinho e gostoso’? Talvez. Eu não, pelo menos até agora pouco.

Pois bem. O Periquito, ‘o macarrão soltinho e gostoso’, é distribuído pela Alternativa Bebidas e Alimentos, que também é a responsável pelas cachaças Seleta e Boazinha, estas relativamente mais famosas que o Periquito, porém desprovidas de um slogan tão peculiar.

A Alternativa, que também distribui a cerveja Imperial, é responsável pelo Sports Drink, a bebida energética licenciada por pelo menos 24 clubes de futebol de todo país, que custa entre cinco e nove reais no Mercado Livre, seja lá qual for a razão pela qual alguém de fato compra bebida energética por um site de leilão.

De qualquer maneira, a linha Sports Drink nunca foi muito divulgada, assim como a maioria dos produtos licenciados de qualquer clube. E, dessa maneira, a relação entre a Alternativa Alimentos e Bebidas e o futebol sempre se manteve longe dos holofotes. Isso, é claro, até ontem a noite, no jogo do Corinthians da Libertadores.

Qualquer um que viu o jogo reparou que havia algo bastante incomum sendo mostrado pelas câmeras. E não era a resistência do Ronaldo em usar uma camisa um número maior. Foi algo muito mais significativo. Um caso raro, que não acontecia desde a finada Copa João Havelange (CJH). Estava lá, na camisa do Independiente. Nas costas. Em cima do número dos jogadores. Para o provável trocadilho da Globo, no local estava estampado ‘Pânico’ em letras garrafais. Com a mesma grafia do programa que tanta dor de cabeça já causa à monopolística emissora. Abaixo, lia-se ‘Energy Drink’.

Pânico Energy Drink é uma bebida distribuída pela Alternativa Bebidas e Alimentos. No site da bebida não está nominada a empresa. A relação foi estabelecida por meio de um vídeo com mais de uma hora de duração, disponível no YouTube sobre o lançamento da bebida em uma feira, em um stand que não apenas dispõe de todos os clichês promocionais possíveis, inclusive uma caminhonete com rodas gigantes, mas que também conta com um dos apresentadores mais chatos da história do planeta. Talvez do universo.

Nada de absolutamente errado em um energético patrocinar um time colombiano. O problema, e – pode apostar – isso vai realmente ser um problema, é que o time também expôs a marca de um programa concorrente da Globo, que é basicamente a mesma coisa que o Vasco fez na final da CJH e que eventualmente motivou o Estatuto do Torcedor a proibir patrocínios de clubes por empresas de comunicação.

A questão me parece muito complicada. Primeiro porque obviamente o Independiente de Medellín está fora da jurisdição do Estatuto do Torcedor. E depois, o Pânico em questão, ou até a sua emissora, não é o patrocinador, mas apenas o licenciante da marca para outra empresa, que não é de comunicação.

Não sou, ainda bem, um jurista. Mas tenho o pressentimento que isso vai dar pano pra manga. Vai ser interessante observar se a ação vai se repetir e qual atitude a Globo irá tomar. Mas, na dúvida, estou com ela. Por mais que o Pânico seja engraçadão, ainda que absurdamente supervalorizado, nenhuma empresa que distribui um macarrão com um slogan desses merece ser beneficiada por qualquer coisa. Nem se demitirem o apresentador do programa de uma hora do YouTube.

Que cara chato.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br


Publicidade
Conteúdo Relacionado Vídeos

 
Publicidade
Publicidade