Quem acompanha as colunas da Universidade do Futebol já percebeu que cada colunista tem a responsabilidade de escrever sobre o futebol a partir de uma área do conhecimento, ou mesmo que temas em particular.
O Eduardo Fantato escreve sobre tecnologia da informação e futebol; o André Megale, a partir da visão do direito esportivo; o Erich Beting com o enfoque jornalístico; o Rodrigo Leitão sob a ótica do treinador (pensamento tático); o Rodrigo Barp e o Oliver Seitz buscam na gestão e no marketing as relações possíveis e necessárias com a modalidade.
Já a minha responsabilidade recai em apresentar as interações entre a pedagogia e o futebol, sempre trazendo a tona o pensamento complexo advindo das novas tendências em pedagogia do esporte.
E falar em pedagogia é discorrer sobre aprendizagem, sobre professores, sobre pensadores, sobre pessoas que nos ajudam a “desbanalizar o banal”. Obrigando-nos a pensar sobre o que fazemos, por que fazemos, para quem fazemos e, principalmente, como fazemos.
Recentemente, procurando um livro em minha biblioteca particular, deparei-me com outro, o qual me foi extremamente importante em determinado momento da vida, em que fui desafiado a enfrentar um enorme trabalho.
O livro que reencontrei foi “Aprendendo a viver com Confúcio”. Um típico livro de auto ajuda, sobre os quais não tenho preconceito algum, muito pelo contrário, sou apaixonado por livros, e vejo neles (em todos) uma real possibilidade de sair deles (pois nos livros se é absorvido, como no jogo) transformado ou em estado de transformação.
Confúcio é o nome latino do pensador chinês Kung Fu Tse. Nascido por volta de 550 a.C., quando a China passava por um período de grande incerteza política, teve os seus ensinamentos sobre moral, conduta social, honestidade e, essencialmente, sobre humanidades, perdurando ao longo dos tempos, templos, nações e gerações.
Mas trago Confúcio para o universo do futebol, pois acredito que como pedagogo ele tem muito a nos ensinar, principalmente no que diz respeito a nossos posicionamentos frente aos já clássicos problemas evidenciados a todo o momento no esporte.
Por esse motivo, convido todos os professores de futebol, ou mesmo os treinadores que querem atuar ou atuam no século XXI, a ler sobre esse filósofo oriental da antiguidade, ou mesmo ter acesso aos seus pensamentos centrais (que podem ser encontrados no livro supracitado).
Contudo, quero aproveitar para instigá-los a pensar sobre o prisma do
confucionismo, deixando-os construir a ponte que liga os pensamento do autor ao futebol:
“Para ser capaz, a pessoa deve estudar; para ser intelectual, deve aprender com os outros”;
“Se uma pessoa é capaz de adquirir novo conhecimento ao rever um antigo saber, esta pessoa está qualificada para ser um tutor”;
“Quem se considera um sábio não pode ouvir nenhum bom conselho”;
“Tente superar suas limitações e adquirir a capacidade que ainda não possui. Não suspeite dos outros quando você tiver fracassos, nem os olhe com ar superior quando tiver talentos. Não diga, nem faça nada que outros possam usar contra você. Só pessoas sábias podem fazer todas estas coisas”;
“Se alguém aprendeu a verdade, mas não a põe em prática, é melhor não aprender nada.”;
“Uma pessoa deve ajudar os outros a fazer o que ela mesma deseja fazer, e a realizar o que ela mesma deseja realizar.”;
“Quem ama pessoas é amado por outras; quem menospreza pessoas é menosprezado por outras.”;
“Uma pessoa pode saber dos grandes eventos ao redor do mundo sem sair de sua pequena residência, pois está atento ao autoconhecimento”;
“Ao aceitar conselhos dos outros, você torna-se um sábio”;
“Nunca se apresse, nem ambicione pequenos ganhos. Na ânsia por sucesso rápido, você pode não alcançar suas metas; ambicionando pequenos ganhos, pode não fazer grandes conquistas.”.
Para interagir com o autor: alcides@universidadedofutebol.com.br