Mais do que construir ou modernizar arenas, os requisitos da Fifa exigem que o país-sede de uma Copa do Mundo possua uma eficiente rede de transportes (aeroportos, metrôs, sistemas rodoviário e portuário), estrutura hoteleira adequada e excelente rede de telecomunicações, além de hospitais, sistemas de segurança e energia em boas condições. Ou seja, a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil é uma oportunidade única para o avanço do planejamento e para a renovação da infraestrutura do país.
Vice-presidente de Arquitetura do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), Leon Claudio Myssior destaca a fase de planejamento dos projetos que visam a realização da Copa no Brasil como essencial para o sucesso do evento. Ele coloca que o importante do torneio entre seleções é o Brasil que se terá em 2015, um ano após o acontecimento, visto que o evento será uma enorme vitrine para o país.
"Em nossa avaliação, a falta de planejamento e da cultura de planejar estão por trás da má aplicação do dinheiro público, das obras ruins e da falta de prioridade na alocação de recursos. Da mesma forma, é a nossa maior preocupação para a Copa em 2014, para a Olimpíada em 2016, e para o Brasil dos próximos 50 anos", disse Leon Myssior, em entrevista exclusiva, por email, à Universidade do Futebol.
Dados da Fifa informam que cerca de 560 milhões de pessoas de 240 países assistiram pela TV a cada um dos jogos da Copa da Alemanha, em 2006, o que resultou em uma audiência acumulada de quase 30 bilhões de espectadores. Esse número supera até mesmo o das Olimpíadas de Pequim, em 2008, quando aproximadamente 4,4 bilhões de telespectadores assistiram ao evento.
Outros dados que apontam a Copa do Mundo como o evento esportivo de maior impacto são os que fazem referência ao turismo. Números da Administração Nacional de Turismo da China mostram que 450 mil turistas estrangeiros visitaram o país exclusivamente em função dos Jogos Olímpicos. Por sua vez, a Alemanha recebeu cerca de 1 milhão de estrangeiros com a Copa, segundo a organização do evento. No caso do país europeu, somente a arrecadação com o turismo foi de 1 bilhão de euros (não se levando em conta receitas como venda de ingressos, patrocínios e direitos de transmissão televisiva, por exemplo).
Esses números indicam que o Mundial é o acontecimento que tem maior apelo midiático e maior capacidade de gerar recursos para os setores direta ou indiretamente envolvidos em sua realização.
"É certo que a questão da sustentabilidade (em toda a sua amplitude) deva ser considerada não apenas nos projetos das arenas, mas em todos os projetos e intervenções envolvidas (infraestrutura, hospitalidade, mobilidade urbana, etc)", comentou o entrevistado.
O Sinaenco abrange as empresas que prestam serviços de planejamento, estudos, planos, pesquisas, projetos, controles, gerenciamento, supervisão técnica, inspeção, discussão e fiscalização de empreendimentos relativos à arquitetura e à engenharia. O sindicato reúne cerca de 10 mil empresas instaladas no Brasil, mercado que possui faturamento médio anual da ordem de 1 bilhão de dólares, empregando cerca de 20 mil trabalhadores, 50% dos quais de nível superior.