Entrevistas
25/06/2010
Élio Carravetta, coordenador de preparação física do Internacional
Profissional do clube colorado discorre sobre sua trajetória e a relação entre cultura e o futebol
Bruno Camarão

Há mais de uma década, Élio Carravetta está envolvido com o dia-a-dia do Internacional. Sua experiência prática na área de treinamento e coordenação esportivos, entretanto, é bem mais ampla. E se o clube colorado se vangloria dos títulos recentes conquistados, da condição privilegiada de revelador de jovens talentos e até mesmo do sistema de gestão administrativo, certamente tem de fazer uma referência a esse profissional.

Especialista em Ciência do Esporte, pela Faculdade Católica de Medicina de Porto Alegre, com mestrado em Métodos e Técnicas de Ensino, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutorado em Filosofia da Ciência da Educação, pela Universidade de Barcelona, na Espanha, Élio sempre soube propor um diálogo coerente entre o âmbito acadêmico e a parte prática. Algo muito difícil de se ver representado, como revelou nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol.

“Houve um afastamento do meio acadêmico em relação à realidade, e é necessário que haja esse resgate. Hoje, porém, ainda há uma distância”, apontou.

No Beira-Rio, atuou como coordenador de preparação física – englobando categorias de base e o departamento de futebol profissional. Desde 2002, as funções ficaram restritas às atividades de reabilitação e programas especiais para os atletas que ingressaram no grupo principal.

Sempre em consonância com a diretoria gaúcha, exerceu também trabalhos de ordem administrativa. Atualmente, o retreinamento, processo com a finalidade de atender a rotatividade de jogadores, gerada por novas contratações, déficit físico ou lesões, é seu carro-chefe.

Élio tem ainda em seu currículo a assinatura de algumas obras, como “O Esporte Olímpico”, “Um novo paradigma nas relações sociais e pedagógicas”, “O Jogador de Futebol - Técnicas, Treinamento e Rendimento” e “Modernização da Gestão do Futebol Brasileiro”. A última delas, “O enigma da preparação física no futebol”, lançada no ano passado, revela ideias muito interessantes do profissional em relação à atividade.

“É até uma declaração forte, mas a preparação física como grande parte da sociedade pensa simplesmente não existe. No futebol, ao contrário, o que se busca é o equilíbrio das qualidades físicas para melhorar o desempenho individual através dos treinamentos técnicos, táticos, estratégicos e relacionais – e tudo isso pensando no rendimento coletivo das equipes”, argumentou Élio, que também falou sobre a integração das ciências dentro do Inter e por que a questão cultural resultou na saída do técnico uruguaio Jorge Fossati da equipe.



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