O Botafogo certamente pode se gabar de possuir um departamento de futebol profissional integrado. O trabalho realizado por supervisores, auxiliares técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, fisiologistas, assessores de imprensa, nutricionistas, psicólogos, podólogos e médicos, em consonância com o chefe principal da comissão técnica, possui uma linha comum de condução. Mais do que isso, está amparado pela tecnologia para potencializar as diversas atividades.
No início do ano passado, o clube carioca selou uma parceria com a Tempo Real, empresa que reúne especialistas em ferramentas de análise de vínculos. Desde então, todas as ações relacionadas à saúde e ao desempenho dos atletas alvinegros passaram pelo monitoramento das soluções criadas pelo grupo. Marcelo Xavier, gerente de treinamento e gestor do Projeto Sector, está à frente disso, ao lado de Altamiro Bottino, fisiologista e coordenador do projeto pelo Botafogo.
"Em geral, cada um tem sua forma de registrar o trabalho (documento, planilha, papel, etc.), sem uma conexão. Para ter acesso a todos esses dados, há necessidade de uma troca contínua, além do fato de que as pessoas não guardam seus arquivos em um ambiente comum. Como o banco de dados possui acesso integrado, em relação ao nível de segurança, o ingresso é restrito à necessidade do usuário, pois não há preocupação em imputar dados e ter informações sigilosas sendo livremente distribuídas", explicou Xavier sobre a segurança dessa plataforma nesta entrevista à Universidade do Futebol.
O acordo tecnológico tem duas vertentes: uma é a implantação do Sector no Botafogo, conjunto de softwares de armazenamento e análise de informações comercializados pela Tempo Real. A outra é o investimento em infraestrutura tecnológica do departamento de futebol, também apoiado pela empresa.
Os aplicativos possibilitam o cruzamento de grandes volumes de registros para realização de análises de vínculos, extração de dados estatísticos, acompanhamento e prescrição de treinamentos, permitindo ainda a avaliação das evoluções morfológica e funcional dos atletas em ordem cronológica.
O usuário dialoga com uma interface que apresenta diagramas facilmente exploráveis. Diversas características de treino e necessidades do atleta podem ser correlacionadas, assim como a faixa etária ou a posição em campo mais afetada por um tipo de lesão, o tipo de reabilitação a ser feita ou as sessões de treinamento pela qual determinado jogador passou.
"O grande lance da solução é oportunizar as pessoas a conhecerem que tipo de informação elas podem gerar na integração desses departamentos. O cruzamento entre o trabalho do fisiologista com o da nutricionista, a recuperação de um atleta saindo do DM e o reinício de trabalho na preparação física, etc.", apontou Xavier, que possui um histórico dentro da modalidade - foi preparador físico e atuou na gerência de futebol do Botafogo do Distrito Federal.
Ele acredita nesta quebra de paradigma como uma nova forma de processos de trabalho. As competências passam a ser mais organizadas e a relação profissional mais facilitada, podendo se traçar um perfil muito mais amplo para se trabalhar com cada um dos atletas, propondo uma evolução mais rápida. Na cadeia sequencial, a organização traz resultados, e os resultados, novos patrocinadores.
"Estamos nos estruturando cada vez melhor. É um conceito administrativo simples, reproduzido em empresas, mas em fase embrionária nas instituições de futebol", completou.